
Deputadas estaduais do Bloco Democracia e Luta protocolaram representação criminal no Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) contra o vice-governador Mateus Simões (PSD) após o uso da expressão “inveja branca” durante discurso oficial na cerimônia da Medalha da Inconfidência, realizada em 21 de abril, em Ouro Preto.
A iniciativa partiu das parlamentares Macaé Evaristo (PT), Ana Paula Siqueira (PT), Andréia de Jesus (PT) e Leninha (PT). As deputadas apontam que a fala, feita em cerimônia institucional, ultrapassa o campo da opinião pessoal e configura prática de cunho racista.
Na ocasião, Simões afirmou ter “inveja branca” do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, por ter nomeado uma mulher como comandante-geral da Polícia Militar. A expressão é apontada por especialistas e movimentos sociais como exemplo de racismo linguístico, por associar simbolicamente o “branco” a algo positivo, em contraste implícito com o “preto/negro”.
A repercussão foi imediata e negativa entre militantes do movimento negro e especialistas em direitos humanos, que destacam o peso simbólico da linguagem, especialmente quando utilizada por autoridades públicas. Para as deputadas, o episódio ganha gravidade adicional por ter ocorrido em um ato oficial do Estado e em uma data historicamente ligada à luta por liberdade em Minas Gerais.
No documento encaminhado ao MPMG, as parlamentares ressaltam que o cargo ocupado por Simões amplia o alcance e o impacto de suas falas, especialmente em um estado com grande população negra. Elas defendem que o prestígio institucional não pode servir como proteção para práticas discriminatórias.
“A manifestação foi proferida no exercício da função pública e em ato oficial do Estado, circunstância que afasta sua caracterização como opinião privada. O representado ocupa o cargo de maior hierarquia no Poder Executivo do Estado de Minas Gerais – um dos estados brasileiros com maior população negra em números absolutos -, o que confere à sua fala poder normativo e simbólico de excepcional amplitude”, diz o documento.
Improbidade Administrativa
Outra representação, protocolada pela deputada Beatriz Cerqueira (PT), reforça o pedido de apuração e solicita análise de suposta violação da Lei de Improbidade Administrativa, apontando que a conduta de Simões pode ser ilegal e incompatível com o prestígio do cargo que ocupa. O documento também requer que o vice de Zema seja condenado a pagar indenização por danos morais coletivos, com destinação dos recursos a instituições mineiras que atuam no enfrentamento ao racismo e na educação para as relações étnico-raciais.
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