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Sob Zema e Simões, Minas Gerais não atinge metas de ensino integral e qualidade da educação piora

Metas ignoradas, exclusão ampliada e desempenho abaixo do esperado expõem a fragilidade da gestão estadual na educação pública

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Dados foram apresentados em audiência pública da Comissão de Educação, Ciência e Tecnologia da ALMG, a pedido da presidenta, deputada Beatriz Cerqueira (PT).

O governo de Minas Gerais, sob a condução de Romeu Zema (Novo) e seu sucessor Mateus Simões (PSD), não conseguiu cumprir metas básicas do Plano Estadual de Educação e expôs uma condução falha e desarticulada da política educacional. Dados oficiais apresentados em audiência pública na Assembleia Legislativa (ALMG) mostram que apenas 9,9% dos estudantes da rede estadual estão no ensino em tempo integral, número muito distante dos 25% previstos. No recorte das escolas, o cenário é igualmente grave: somente 22,6% oferecem a modalidade, quando a meta estipulada é de 50%.

A distância entre o planejado e o executado não é um detalhe técnico, é um retrato direto da incapacidade de gestão. Mesmo após anos de vigência do plano, Minas segue abaixo da média nacional e ocupa posições inferiores no ranking, evidenciando que o estado não apenas falhou em avançar, mas ficou para trás.

Expansão sem estrutura aprofunda desigualdade e compromete permanência

Os poucos avanços registrados não se sustentam na prática. Apenas 0,4% das escolas oferecem atividades complementares, elemento essencial para o funcionamento real do ensino em tempo integral. Sem estrutura, o modelo vira uma promessa vazia.

Relatos da rede mostram que a implementação descolada da realidade social tem efeito contrário ao esperado. Em Belo Horizonte, a adoção do tempo integral levou à evasão no ensino médio, com queda drástica no número de alunos. Estudantes que precisam trabalhar foram empurrados para fora da escola, revelando uma política que ignora as condições concretas da população.

Qualidade do ensino também fica abaixo do mínimo esperado

O fracasso não se limita ao acesso. A qualidade da educação também não atinge as metas estabelecidas. No Ideb, Minas Gerais não cumpriu nenhum dos objetivos definidos no Plano Estadual de Educação.

Nos anos iniciais, a nota foi 6,2, abaixo da meta de 6,9. Nos anos finais, 4,6, inferior tanto à meta quanto à média nacional. No ensino médio, o cenário é ainda mais crítico, com nota 4, distante do objetivo de 5,2 e abaixo do índice nacional.

Os números revelam um sistema que não consegue garantir aprendizagem, permanência nem perspectiva. A consequência é direta: 39% dos alunos que entram no ensino fundamental não chegam ao ensino médio.

Educação inclusiva é negligenciada e direito básico é violado

A situação se agrava ainda mais quando se observa a educação inclusiva. A Meta 4 do Plano Estadual de Educação, que prevê a universalização do atendimento especializado para estudantes com deficiência, está longe de ser cumprida.

Das 3.452 escolas da rede estadual, apenas 1.229 oferecem esse atendimento, o que representa 35,6%. Em territórios mais vulneráveis, o abandono é ainda mais evidente, com presença mínima do serviço em assentamentos, comunidades quilombolas e territórios indígenas.

Além da baixa cobertura, há falhas estruturais graves. Rotatividade de professores de apoio, proporção inadequada de profissionais por aluno e ausência de infraestrutura comprometem o atendimento. Há casos em que salas especializadas funcionam em regime de alternância, reduzindo ainda mais o acesso.

Entidades e especialistas apontam que houve ampliação de matrículas no ensino regular sem garantia de suporte, o que na prática significa inclusão apenas formal, sem condições reais de aprendizagem.

Falta de gestão transforma política pública em exclusão institucionalizada

Os dados apresentados indicam um problema estrutural e persistente. A ausência de planejamento, investimento adequado e diálogo com a comunidade escolar transforma políticas públicas em mecanismos de exclusão.

A própria Assembleia Legislativa acionou o Tribunal de Contas para auditoria, sinalizando que há dúvidas sobre a execução e o uso de recursos destinados à área.

A deputada Beatriz Cerqueira (PT) foi direta ao apontar a gravidade do cenário. “Há uma negligência que está ficando explícita em relação a uma lei estadual”, afirmou. Em relação à educação inclusiva, reforçou a urgência de ação: “É uma situação absurda fazer alternância no atendimento. O Estado diminuiu o suporte a crianças com deficiência e altas habilidades. A situação requer medida imediata”.

Crise estrutural escancara fracasso da política educacional em Minas Gerais

O que se vê em Minas Gerais não é apenas atraso no cumprimento de metas, mas o esvaziamento de um projeto educacional construído coletivamente. O descumprimento do Plano Estadual de Educação, a baixa qualidade do ensino e a negligência com estudantes com deficiência formam um quadro contínuo de falhas que impactam diretamente o presente e o futuro de milhares de jovens.

A educação pública estadual segue sem direção, sem estrutura e sem compromisso com inclusão real.

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