Pedido foi encaminhado ao MPMG, TCE-MG e CGE para investigar possíveis irregularidades em parceria firmada durante a gestão Zema

O deputado estadual Professor Cleiton (PV) protocolou, nesta sexta-feira (08/05/26), pedidos urgentes de providências junto ao Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), ao Tribunal de Contas do Estado (TCE-MG) e à Controladoria-Geral do Estado (CGE) para apurar o envolvimento do Governo de Minas Gerais com uma fintech investigada por lavagem de dinheiro e ligações com facções criminosas.
O parlamentar destaca um termo de parceria firmado em 17 de março deste ano, ainda na gestão de Romeu Zema (Novo), com a Rede Nacional de Aprendizagem Promoção Social e Integração, no valor previsto de R$ 237,6 milhões ao longo de dois anos. O escândalo foi revelado em reportagem do jornal Folha de São Paulo. Após a denúncia, o governo de Minas anunciou a suspensão da parceria com a entidade fundada por alvo de operação contra o PCC.
Segundo a reportagem, a entidade foi fundada por Adair Meira, preso no mês passado por suspeita de lavagem de dinheiro com uma fintech ligada à facção. Ele também foi apontado pela Polícia Civil paulista como interlocutor do grupo em Brasília.
A mesma organização venceu um chamamento público do Governo de Goiás para gerir um programa que busca inserir jovens no mercado de trabalho e pode movimentar R$ 2 bilhões. Meira é também apontado como proprietário de outras empresas no estado.
Em Minas, o programa alvo da contratação é o Evolução Jovem, que busca facilitar o ingresso de 10 mil estudantes da rede estadual no mercado de trabalho, por meio de contratações em órgãos públicos. O programa foi lançado já na gestão Simões, que sucedeu Zema e é candidato à reeleição.

A Renapsi diz que não é objeto de investigação e que Meira não ocupa cargos de gestão ou mantém vínculo administrativo com a organização. A Polícia Civil, porém, afirma que o empresário é o “real dono” da Renapsi, que foi usada para pagamento de boletos para a fintech 4TBank, criada por um membro do PCC.
Segundo as investigações, parte desses valores pagos era transferida para outras empresas de Meira e outra quantia era repassada em espécie para o empresário. Os recursos chegaram a ser transportados por meio de um helicóptero.
O avanço do crime organizado em Minas
Em requerimento protocolado na Comissão de Segurança Pública da Assembleia Lagislativa de Minas Gerais (ALMG), o deputado Professor Cleiton pede que também seja investigada se há ligação entre a suposta relação do Governo de Minas com fintechs ligadas a crime organizado, o avanço dessas facções sobre o território de Minas, a falta de investimento em segurança pública e contratação de pessoal e a intenção de terceirizar parte da segurança pública.
Para o parlamentar, é possível que as políticas de desmonte praticadas pelo governo Zema/Simões sejam intencionais, para beneficiar as organizações que vêm mantendo contratos com o Governo de Minas.
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