
Uma fiscalização da Comissão de Cultura da Assembleia Legislativa (ALMG), realizada nesta quinta-feira (02/07/26) no Palácio das Mangabeiras – antiga residência oficial dos governadores -, constatou o esvaziamento quase total do mobiliário e de itens históricos do imóvel. O cenário encontrado resume-se a apenas uma mesa de centro, duas poltronas, um sofá e um piano, acendendo o alerta sobre o paradeiro de centenas de bens públicos de valor histórico e cultural para Minas Gerais.
A agenda foi solicitada pelo deputado Leleco Pimentel (PT) após inconsistências identificadas durante a prestação de contas do secretário de Estado de Cultura e Turismo, Leônidas José de Oliveira, na audiência do Assembleia Fiscaliza. O objetivo agora é esclarecer o paradeiro do acervo desde que o governo Zema/Simões decidiu desativar o Palácio como residência oficial e destiná-lo à realização de eventos por meio de uma parceria público-privada.
Inaugurado em 1955, o Palácio das Mangabeiras foi residência oficial de 17 governadores mineiros. Em 2019, o imóvel deixou de cumprir essa função e passou a ser administrado pela Companhia de Desenvolvimento de Minas Gerais (Codemge), com uso voltado para eventos.
Além da ausência da maior parte do mobiliário e das peças históricas, a comissão verificou a descaracterização de espaços que integram a memória política e cultural do Estado. A antiga cozinha foi encontrada completamente vazia, enquanto a sala de cinema construída durante o governo de Juscelino Kubitschek está desativada, evidenciando o abandono de ambientes de relevante valor histórico.
Codemge não explica o paradeiro do acervo
Na reunião realizada em seguida na Codemge, responsável pela gestão do imóvel, a situação ficou ainda mais grave. Os representantes da empresa não souberam informar onde estão os móveis e objetos retirados do Palácio, tampouco conseguiram confirmar informações anteriormente prestadas pelo secretário de Cultura sobre a localização de obras de arte desaparecidas.
Durante o Assembleia Fiscaliza, em 17 de junho, o secretário Leônidas de Oliveira havia informado que 44 obras de arte do Palácio foram localizadas sob a guarda da Polícia Militar e que outras 187 peças estariam na Codemge. Os representantes da empresa, contudo, disseram não ter condições de confirmar as informações durante a visita.
Parlamentar leva denúncia ao TCE
Estado (TCE) pedindo investigação sobre a destinação dos bens retirados do Palácio das Mangabeiras. O documento questiona a inexistência de inventário completo do acervo, pede apuração sobre o controle patrimonial adotado após a mudança de uso do imóvel e solicita a verificação da regularidade da exploração econômica do espaço, diante de seu valor histórico e cultural.
Conforme Leleco Pimentel, após a apresentação das informações pela Codemge e pelos órgãos estaduais, também será encaminhada notícia-crime ao Ministério Público, caso persistam dúvidas sobre o destino do patrimônio público. A intenção, segundo ele, é garantir a recuperação, a preservação e a transparência na gestão dos bens que pertencem ao Estado de Minas Gerais.
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