NOTÍCIAS

Tragédia anunciada: o corte de Zema que deixou Minas exposta às chuvas

Com redução de mais de 95% nos investimentos para prevenção e resposta a desastres, governo estadual fragiliza políticas públicas enquanto Juiz de Fora e Ubá contam mortos, desabrigados e vivem sob medo permanente.

Tragédia anunciada: o corte de Zema que deixou Minas exposta às chuvas
ANDRE COELHO/EPA/Shutterstock

Os números oficiais não deixam margem para dúvidas. Dados do Portal da Transparência mostram que o governo Romeu Zema reduziu em mais de 95% os investimentos em ações relacionadas aos impactos das chuvas em Minas Gerais. O programa que financia iniciativas de prevenção, atendimento e recuperação despencou de cerca de R$ 135 milhões em 2023 para aproximadamente R$ 5,8 milhões em 2025.

A queda é progressiva e sistemática. Em 2024, os recursos já haviam diminuído para R$ 41,1 milhões, até atingir o nível mínimo registrado em 2025. Nos primeiros meses de 2026, os gastos foram irrisórios, chegando a pouco mais de R$ 36 mil em uma das medições e R$ 16,1 mil em outra.

Sem orçamento, não há política pública efetiva. A própria coordenadora de Políticas Públicas do Observatório do Clima, Suely Araújo, foi direta: planos não saem do papel sem meios de implementação. O resultado desse desmonte é uma população cada vez mais exposta.

Quando o risco é conhecido, o corte é escolha

Juiz de Fora ocupa o nono lugar no país entre os municípios com maior população vivendo em áreas de risco. São pelo menos 130 mil moradores em encostas, quase um quarto da população.

Ainda assim, o governo estadual optou por reduzir drasticamente os recursos destinados justamente ao enfrentamento dessas ameaças.

A realidade é objetiva: o risco era conhecido, mas os investimentos não acompanharam essa urgência.

Recursos concentrados e prevenção abandonada

Mesmo o pouco que restou foi destinado majoritariamente a outras finalidades. Em 2025, 97% dos R$ 5,8 milhões foram aplicados apenas em ações para atenuar danos em estradas, deixando em segundo plano medidas estruturais de prevenção e proteção direta às populações vulneráveis.

O próprio programa estadual prevê ações como gestão de desastres, assistência emergencial e prevenção de eventos meteorológicos críticos. No entanto, com a redução drástica dos recursos, sua capacidade de atuação foi esvaziada.

A tragédia expõe o preço das prioridades

As consequências dessa política são visíveis. Os temporais que atingiram Juiz de Fora e Ubá deixaram mais de 60 mortos, dezenas de desaparecidos e mais de 200 pessoas resgatadas com vida. Cerca de 600 famílias tiveram que abandonar suas casas por determinação da Defesa Civil.

Somente depois da tragédia, o vice-governador anunciou a liberação de R$ 38 milhões para Juiz de Fora e R$ 8 milhões para Ubá, em medidas emergenciais.

A sequência dos fatos escancara o problema: os recursos que poderiam ter sido utilizados para prevenir foram liberados apenas após a destruição já instalada.

A conta da omissão recai sobre a população

Os dados mostram que a redução não foi pontual, mas resultado de uma decisão política que desmontou o financiamento das ações de prevenção às chuvas em Minas Gerais. Enquanto isso, moradores perderam casas, famílias perderam entes queridos e cidades inteiras foram colocadas em situação de calamidade.

A tragédia que hoje assola Juiz de Fora e Ubá não pode ser tratada como surpresa. Ela ocorre após anos de redução sistemática dos investimentos justamente na área responsável por prevenir e mitigar seus efeitos. Em Minas Gerais, a realidade expõe com clareza que cortar recursos da prevenção tem consequências concretas e elas recaem diretamente sobre a população.

Leia mais: CPI da Copasa: Oposição quer investigar corrupção e conflitos de interesse na privatização da estatal

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

CADASTRE-SE PARA RECEBER MAIS INFORMAÇÕES DO BLOCO DEMOCRACIA E LUTA

Formulário de Cadastro

Zema quer vender Minas Gerais

Zema inimigo da Educação

Reforma pra quê?

Coragem para resistir, união pra construir!