São necessárias 26 assinaturas para abertura da Comissão Parlamentar de Inquérito

O Bloco Democracia e Luta iniciou, nesta quarta-feira (3/12/2025), a coleta de assinaturas para a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG). O objetivo é investigar a espionagem de deputados pelo governo de Romeu Zema (Novo) durante o processo de privatização da Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa). O Projeto de Lei (PL) 4.380/25, que autoriza a venda da estatal, está no segundo turno de votações.
Os parlamentares querem apurar a contratação da consultoria Ernst & Young pela Copasa, no valor R$ 7 milhões, para monitorar deputados, membros de órgãos de controle, como ARSAE, TCE e Ministério Público, além de servidores e imprensa, entre outros. A lista contém mais de mil nomes. Segundo documentos aos quais a oposição teve acesso, o relatório identifica agentes considerados relevantes para o debate e as decisões relacionadas à privatização da estatal. Em uma seção do estudo chamada “mapeamento de stakeholders”, os nomes foram classificados como “defensores”, “neutros” ou “contrários”.
O levantamento não apenas traz informações detalhadas sobre a vida pessoal e as redes sociais dos monitorados, mas também serve como guia de comunicação, orientando discursos, frases e ações para convencer a população sobre a venda da companhia. Além disso, a deputada Beatriz Cerqueira (PT) aponta que os estudos preveem um reajuste de 12% nas tarifas após a concretização da privatização.
Para a parlamentar, primeira signatária do pedido de abertura da CPI, o trabalho de monitoramento realizado pela consultoria pode ter sido utilizado de forma a influenciar votos favoráveis à privatização, que chegou a ser aprovada em primeiro turno, nesta terça-feira, o que seria uma interferência grave.
“Teve lobby dentro da Casa Legislativa; monitoramento de 77 deputados; atuação de uma consultoria dentro da Casa e que pode explicar em grande medida o resultado de 50 votos obtidos agora a favor da privatização”, diz Beatriz Cerqueira.
O deputado Ulysses Gomes (PT), líder do Bloco Democracia e Luta, também defendeu a abertura da CPI, destacando a importância da mobilização da sociedade para fortalecer a defesa da Copasa no segundo turno. “O nosso bloco está entrando com o pedido de CPI contra esse processo de espionagem que a Copasa fez, além de todas as denúncias que já fizemos. Portanto, temos muita luta pela frente”, afirmou.
A deputada Leninha (PT), vice-presidente da ALMG, reforçou a importância da instalação da CPI. “O que aconteceu durante esse período foi um absurdo. A gente teve espionagem aqui dentro da Casa, isso é uma ameaça à democracia, ao parlamento”, afirmou.
A deputada Bella Gonçalves (PSOL) classificou a espionagem como um escândalo. “Espionagem com recurso público é algo escandaloso e isso não pode ser admitido em hipótese alguma. É preciso gerar a responsabilização de quem fez esse ato, que é um ato de improbidade, corrupção e violação da soberania entre os poderes”, destacou.
Nas redes sociais, a deputada Ana Paula Siqueira (Rede) afirmou que “nada vai ser varrido para debaixo do tapete”, ao anunciar que assinou a abertura da CPI. Ela também criticou o governo Zema: “Deputados e agentes públicos sendo vigiados e monitorados, numa tentativa clara de intimidação… enquanto o governo tenta vender a Copasa a preço de banana, sem ouvir o povo. É assim que Zema governa nosso estado. Modus operandi típico de governos autoritários de direita!”
TCE e MPF já investigam o caso
A consultoria prestada pela empresa Ernst & Young também está sendo alvo de representação do Bloco Democracia e Luta junto ao Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais (TCE-MG). A partir da medida, a Corte requisitou o contrato com a empresa, o detalhamento dos serviços prestados, incluindo o que foi solicitado e executado, além das informações sobre o monitoramento realizado. Conselheiros do TCE também estão entre as autoridades vigiadas.
O Ministério Público Federal (MPF) também abriu procedimento administrativo para apurar o monitoramento de autoridades pago pela Copasa.
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