
Os servidores do Sistema Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (SISEMA) deflagraram greve geral a partir desta segunda-feira (1º/09). A paralisação, por tempo indeterminado, ocorre em todas as regionais de Minas Gerais e expõe um quadro de desmonte estrutural e de desvalorização da carreira ambiental no estado, em um momento em que a pauta climática ganha centralidade no cenário internacional com a proximidade da COP30.
Propaganda verde x realidade
Segundo os trabalhadores, enquanto o governador Romeu Zema (Novo) investe em propaganda para divulgar uma imagem de “governo sustentável”, na prática, o estado aprofunda a desestruturação do SISEMA. Normas e garantias ambientais vêm sendo desmontadas, ao mesmo tempo em que os órgãos responsáveis pela fiscalização e preservação sofrem com falta de pessoal e de condições de trabalho.
Quadro reduzido e salários defasados
Entre os principais motivos da greve estão a falta de concursos públicos e a defasagem salarial, que, segundo o Sindicato dos Servidores Públicos do Meio Ambiente no Estado de Minas Gerais -SINDSEMA, já ultrapassa 85%. Os servidores denunciam que os salários pagos em Minas Gerais estão entre os piores do país e que há trabalhadores, como é o caso dos auxiliares ambientais, recebendo menos do que o salário-mínimo.
“Em comparação com o cenário nacional, os trabalhadores de Minas Gerais recebem um dos piores salários-base para meio ambiente no país, com as carreiras mineiras de nível superior em meio ambiente recebendo salário-base similar ao praticado nas carreiras de nível médio no órgão ambiental do estado do Mato Grosso, por exemplo”, diz publicação do site do sindicato, ressaltando, ainda, que os salários pagos pelo estado chegam a ser três vezes menores do que os oferecidos por mineradoras privadas.
Além disso, os servidores afirmam não receber os adicionais de insalubridade e periculosidade previstos em lei e relatam que a progressão por escolaridade adicional tem sido sistematicamente negada. Um acordo judicial firmado em 2016, que previa a criação de um novo plano de carreiras, também não foi cumprido.
Pleitos ignorados, enquanto arrecadação aumenta
A categoria afirma ter apresentado ao governo Zema uma lista com 19 reivindicações nos últimos anos, a maioria negadas sob a justificativa de falta de recursos ou entraves legais. No entanto, destacam que, apenas em taxas, emolumentos e multas ambientais, o SISEMA arrecada cerca de R$ 1,2 bilhão por ano. Menos de um terço desse valor, porém, retorna para investimentos na própria estrutura do sistema.
“Ou seja, a maior parte dos recursos arrecadados a partir da destruição do nosso território se torna custeio para projetos do governo que nada dialogam com a recuperação desses territórios ou com a manutenção da estrutura que controla as atividades e coíbe os crimes socioambientais”, denuncia a categoria.
O que está em jogo
A greve, segundo os servidores, não é apenas por direitos trabalhistas. Trata-se também de uma luta em defesa da política ambiental em Minas Gerais, hoje fragilizada pela falta de estrutura e pelo esvaziamento dos órgãos de controle. A paralisação deve impactar licenciamentos, fiscalizações e serviços de atendimento ao público em todo o estado.
Com a proximidade da COP30, o movimento ganha ainda mais peso político e simbólico, ao expor a contradição entre o discurso oficial do governo Zema e a realidade enfrentada por quem atua na linha de frente da defesa do meio ambiente em Minas Gerais.
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