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Segurança sucateada e criminalidade em alta: população paga a conta da má gestão de Zema

Contingenciamento de R$ 1,1 bilhão atinge diretamente Polícia Civil e Militar, restringe investigações e agrava índices de violência no estado

Seguranca Foto divulgacao

A promessa de campanha do governador Romeu Zema (Novo) de priorizar a segurança pública em Minas Gerais se choca, mais uma vez, com a realidade da população. Após o anúncio do contingenciamento de R$ 1,1 bilhão feito no orçamento estadual, o governador impôs restrições diretas ao trabalho das forças de segurança. 

Na prática, a medida levou a Polícia Civil a limitar o abastecimento das viaturas e a Polícia Militar a suspender diligências administrativas e treinamentos básicos, comprometendo investigações e o preparo dos agentes. Além da modificação de rotas para priorizar postos próprios do Estado.

Diante das restrições e sem conceder reajuste aos servidores, a população fica à mercê da precarização dos serviços.

Estatísticas em queda no Brasil, mas em alta em Minas

Enquanto no Brasil os crimes violentos vêm apresentando trajetória de queda, Minas Gerais segue na contramão e registra aumento. Entre 2019 e 2024, as mortes violentas intencionais caíram 8,2% ao nível nacional — de 47.765 para 44.127 casos —, mas cresceram 13,6% em Minas, passando de 2.829 para 3.214 registros, segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública. 

Para o pesquisador Luís Flávio Sapori, especialista em segurança pública, a situação é reflexo de uma gestão “precária, reativa e sem plano estratégico”, ignorando a escalada da violência. Ele recorda que, quando Zema assumiu em 2019, a curva de homicídios estava em queda, o que mudou exponencialmente em decorrência da falta de gestão e da falta de integração da segurança pública. A partir de 2022, esses crimes cresceram sistematicamente, em Minas, configurando uma nova linha de tendência. 

De fato, os números confirmam a crítica: após uma sequência de quedas entre 2017 e 2021 (3.216 casos em 2018; 2.829 em 2019; 2.708 em 2020; e 2.523 em 2021), a partir de 2022 a violência voltou a crescer em Minas, subindo para 2.936 casos, depois 3.050 em 2023 e chegando a 3.214 em 2024. 

Para especialistas, isso revela que, além de ignorar a escalada da violência, o governo Zema insiste em minimizar a gravidade do problema, escorando-se no argumento de que Minas ainda figura entre os estados menos violentos, sem admitir que a tendência local aponta para deterioração contínua.

Déficit histórico e desvalorização da Polícia Civil

A Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) ainda enfrenta um período crítico. Entre 2021 e 2025, o saldo real de novos policiais foi de apenas 82 servidores. Nesse intervalo, cerca de 1,4 mil ingressaram na instituição, mas aproximadamente 1,3 mil deixaram os quadros, sendo 461 por exoneração voluntária, reflexo direto da falta de valorização da carreira, segundo o Sindicato dos Escrivães de Polícia Civil no Estado de Minas Gerais (Sindep).

Dados do Sistema de Administração de Pessoal (Sisap), organizados pelo sindicato, revelam que o déficit atual da corporação é de 35%. Hoje, o efetivo conta com pouco mais de 11,2 mil policiais, quando o ideal seria ao menos 17 mil. Para o presidente do Sindep, Marcelo Horta, a falta de planejamento é a raiz do problema. 

“O pedido de exoneração na Polícia Civil se tornou rotina. Muitos colegas saem porque não encontram condições de trabalho. O governo sabe que há aposentadorias anuais e desligamentos frequentes, mas não cria um cronograma de reposição. Sem isso, a instituição caminha para o sucateamento”, afirma.

A desvalorização salarial também é alvo de críticas. Nos últimos anos, os policiais perderam cerca de 44% do poder de compra. A precariedade estrutural das delegacias, muitas instaladas em prédios alugados ou cedidos, sem condições adequadas de segurança, agrava o cenário, somando-se a denúncias de assédio institucional e falta de reconhecimento.

Segundo Horta, o desmonte da carreira chegou a um nível em que servidores pedem exoneração mesmo sem outra perspectiva de emprego. “Chegamos ao ponto de ver colegas largarem a carreira policial para vender pipoca. Isso mostra como a instituição deixou de ser atrativa”, relatou.

Por fim, ele lembra que a escalada da violência está diretamente ligada ao abandono da segurança pública pelo governo estadual.

“O governador Romeu Zema se elegeu dizendo que valorizaria os policiais, mas o que fez foi sucatear as forças de segurança. Ele mente ao afirmar que ampliou o efetivo: contratou de um lado, mas deixou milhares saírem por outro. O resultado está aí: homicídios e feminicídios caíram no Brasil, mas subiram em Minas”, critica.

Feminicídios em alta e pacto nacional ignorado

Outro dado alarmante é o feminicídio. Minas Gerais ocupa hoje a segunda posição no ranking de feminicídios do país, registrando 60 casos apenas no primeiro semestre de 2025 (uma média de uma mulher assassinada a cada três dias), além de finalizar o ano de 2024 com 133 casos, com base nos dados extraídos do Mapa da Violência do Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Ainda assim, o governo Zema não aderiu ao Pacto Nacional de Prevenção aos Feminicídios, lançado há mais de dois anos para garantir recursos federais destinados a políticas de enfrentamento da violência de gênero.

Conforme a ministra das Mulheres, Márcia Lopes, ó pacto é necessário para o envio de recursos para ações de enfrentamento a formas de discriminação, misoginia e violência de gênero. A recusa de Minas representa atraso na proteção às mulheres e reforça a contradição entre a gravidade dos índices e a falta de compromisso da gestão estadual com medidas integradas de combate à violência.

A situação mineira é agravada pela continuidade da violência contra mulheres em diferentes frentes. Até junho de 2025, foram 18.893 casos registrados, incluindo ameaças, lesões corporais e homicídios. Em relação a estupros, o estado computou 2.285 ocorrências apenas no primeiro semestre, o que equivale a uma média de 12 casos por dia, número ligeiramente menor que os 2.423 do mesmo período em 2024, mas que ainda revela um quadro alarmante.

Restrição de combustível paralisa investigações 

Em comunicados internos, a Polícia Civil determinou que veículos descaracterizados utilizados em investigações só podem abastecer até quatro vezes por mês no caso de modelos flex, e até três vezes quando movidos a gasolina ou diesel. Já viaturas caracterizadas sem cela tiveram um limite de cinco abastecimentos. 

Além da limitação, segundo o aviso número 10/2025, divulgado pela Diretoria de Transportes e pela Superintendência de Planejamento, Gestão e Finanças (SPGF) da Polícia Civil, agentes são obrigados a alterar rotas de viagem para priorizar postos de combustível do próprio Estado, o que atrasa operações e reduz a eficiência da corporação.

Medidas que deveriam ser administrativas já comprometem investigações de maior alcance, segundo denúncias de investigadores e representantes sindicais. “Acabou a cota de combustível, o colega não vai poder viajar”, alertou o presidente do Sindicato dos Servidores da Polícia Civil, Wemerson Oliveira.

Gestão Zema: cortes e omissões

Enquanto os números da violência crescem, Zema insiste em vender a imagem de eficiência fiscal e mira em sua projeção nacional. No entanto, especialistas apontam que a redução do efetivo policial, a ausência de investimentos próprios e a omissão em políticas de prevenção consolidam Minas Gerais como um dos poucos estados em que a violência avança em meio a um cenário nacional de queda.

A contradição entre discurso e prática fica evidente: enquanto Zema mira uma candidatura presidencial e prepara seu vice, Mateus Simões, para a sucessão em 2026, Minas Gerais se transforma em terreno fértil para a expansão de facções criminosas e no retrato da falta de prioridade com a segurança pública.

Em vez de enfrentar o problema com investimentos, planejamento e integração das forças, a atual gestão insiste em cortes que fragilizam ainda mais o setor. Os números não deixam dúvidas: sob Zema, Minas Gerais anda na contramão do país no combate à violência.

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