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Facções criminosas crescem 68% em MG em sete anos

RECORD NEWS INTERNACIONAL | 05/04/2026

facções
©Divulgação/Sejusp

Avanço do crime organizado expõe ligação internacional

O número de presos ligados a facções criminosas em Minas Gerais cresceu cerca de 68% entre 2019 e março de 2026, segundo dados da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG). O avanço do crime organizado no estado, com presença consolidada de grupos como PCC, Comando Vermelho e Terceiro Comando Puro, tem sido acompanhado por operações policiais e investigações que revelam conexões com o tráfico internacional.

Expansão das facções em Minas Gerais

Minas Gerais deixou de ser apenas um território secundário para as organizações criminosas e passou a ocupar posição estratégica na disputa entre facções. A presença desses grupos, que começou de forma mais discreta por volta de 2010, intensificou-se nos últimos cinco anos, especialmente em Belo Horizonte e na Região Metropolitana.

De acordo com a Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp), o estado enfrenta hoje a atuação consolidada do Primeiro Comando da Capital (PCC), além do Comando Vermelho (CV) e do Terceiro Comando Puro (TCP), originários do Rio de Janeiro.

Essa expansão se reflete diretamente no sistema prisional. O número de detentos ligados ao PCC e ao CV saltou de 1.900 em 2019 para cerca de 3.200 até março de 2026.

Lideranças fora do estado

Um dos dados que mais chama atenção das autoridades é a localização das lideranças dessas organizações. Segundo o secretário da Sejusp, Rogério Greco, a maioria dos principais alvos ligados a Minas Gerais está fora do estado.

“Desses 50 alvos principais [de Minas], 45 estão no Rio”, afirmou o secretário, destacando que a limitação de operações policiais em comunidades do Rio de Janeiro durante a pandemia contribuiu para esse deslocamento.

A situação reforça a necessidade de integração entre forças de segurança de diferentes estados para combater o crime organizado.

Estratégias diferentes de atuação

Ainda segundo Greco, as facções adotam estratégias distintas. Enquanto os grupos fluminenses priorizam o controle territorial, o PCC opera de forma mais descentralizada.

“O PCC é como se fosse uma metástase. Ele está no corpo inteiro, você não sabe exatamente onde esse camarada está”, explicou.

Tráfico internacional amplia atuação

A expansão do crime organizado em Minas Gerais também está ligada ao uso da geografia do estado para atividades ilícitas. A operação “Mar de Minas”, realizada em parceria com a Marinha, revelou que facções utilizam a malha fluvial para lavagem de dinheiro.

“Muitas coisas ali dizem respeito à lavagem de dinheiro”, afirmou Greco.

Além disso, investigações recentes evidenciaram conexões com o tráfico internacional de drogas. A prisão de Douglas de Azevedo Carvalho, conhecido como “Mancha”, na Bolívia, mostrou que grupos locais mantêm alianças com o PCC para envio de drogas à Europa e à Ásia.

Outro caso relevante foi a captura de Patrick Fernandes de Oliveira, de 33 anos, apontado como um dos criminosos mais perigosos do estado. Ele foi preso no Paraguai após anos de fuga e é acusado de liderar o PCC em áreas como Contagem e Ribeirão das Neves.

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