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Educação em greve e governo em silêncio: servidores cobram negociação e recomposição salarial em Minas

Audiência na ALMG marca lançamento da Campanha Salarial 2026 do Sind-UTE/MG e expõe impasse com o governo Romeu Zema, que anuncia reajuste pífio de 5,4% mas não assume compromisso de negociar com a categoria.

Educação em greve e governo em silêncio: servidores cobram negociação e recomposição salarial em Minas
Foto: Luiz Santana

A audiência pública realizada pela Comissão de Educação, Ciência e Tecnologia da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), nesta terça-feira (17/03), marcou o lançamento da Campanha Salarial 2026 dos trabalhadores da educação estadual. O encontro ocorreu a pedido do Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação de Minas Gerais (Sind-UTE/MG) e reuniu representantes da categoria em greve desde o dia 4 de março.

A audiência foi solicitada pela presidenta da comissão, deputada Beatriz Cerqueira (PT), que destacou o nível de precarização das carreiras da educação no estado e criticou a política salarial do governo. Segundo ela, o reajuste anunciado pelo Executivo está distante da realidade vivida pelos servidores.

“A gente chega a um nível de precarização tão estrutural que 5,4% não faz diferença”, lamentou, ao afirmar que “o reajuste anunciado tem repercussão muito pequena na vida dos servidores, especialmente em carreiras que já enfrentam salários baixos e distorções salariais”.

A principal reivindicação apresentada pelos servidores é a recomposição salarial de 41,83% para todos os níveis e carreiras da educação básica, índice que, segundo o sindicato, corresponde às perdas acumuladas entre 2019 e 2025.

Durante o debate, trabalhadores relataram o impacto das defasagens salariais na permanência de profissionais na rede pública. A coordenadora-geral do Sind-UTE/MG, Denise Romano, afirmou que a ausência de diálogo com o governo agrava o cenário. “É muito duro um processo de negociação que não acontece. Isso é violento e não pode ser normalizado”, disse.

Segundo ela, o quadro atual desestimula a permanência na carreira docente. “As pessoas estão preferindo rodar em aplicativos de transporte a dar aula. Isso não é um problema?”, questionou.

Governo evita assumir agenda de negociação

Apesar da mobilização da categoria e da greve em curso, representantes do governo estadual presentes na audiência não assumiram compromisso de abrir negociação com os trabalhadores.

A subsecretária de Gestão de Recursos Humanos da Secretaria de Estado de Educação, Gláucia Cristina Ribeiro, reconheceu o esforço dos profissionais e mencionou a realização de concursos, mas não apresentou qualquer agenda formal de diálogo com os sindicatos.

Privatização da educação também gera críticas

Outro ponto de tensão apresentado na audiência foi o leilão de 95 escolas estaduais, previsto para ocorrer no dia 25 de março na B3, em São Paulo. As unidades estão distribuídas em 34 municípios mineiros e atendem cerca de 70 mil estudantes.

O modelo prevê uma parceria público-privada (PPP) com duração de 25 anos e investimentos estimados em R$ 5,1 bilhões. A empresa vencedora ficará responsável pela infraestrutura e por serviços administrativos das escolas, enquanto o Estado manterá a gestão pedagógica.

Para o sindicato, a iniciativa amplia a participação de empresas privadas na administração da rede pública de ensino, o que também integra a pauta de reivindicações da categoria, que pede a revogação de medidas nesse sentido.

Valorização dos servidores e qualidade do serviço público

Durante o debate, foi ressaltado que a discussão salarial está diretamente ligada à qualidade dos serviços oferecidos à população. Segundo a presidenta da Comissão de Educação, a valorização dos profissionais é parte essencial da garantia do direito à educação pública.

“Quando defendemos salários e carreira dos servidores, estamos defendendo também a sociedade, porque são esses profissionais que prestam o serviço público à população”, afirmou a deptuada Beatriz Cerqueira.

Com a categoria em greve e sem compromisso do governo com uma agenda de negociação, a audiência expôs o tamanho do conflito entre os trabalhadores da educação e a gestão estadual. Enquanto servidores reivindicam recomposição salarial e valorização profissional, o Executivo mantém silêncio sobre a abertura de diálogo, aprofundando o impasse em um dos setores mais centrais do serviço público mineiro.

Leia mais: Servidores da Uemg e Unimontes se mobilizam pela derrubada do veto de Zema à promoção por escolaridade

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