Em vez de responder à cobrança sobre a mineração na Serra do Curral, governador parte para o ataque, tenta desqualificar o trabalho jornalístico e manda profissional “disputar eleição”; entidades da imprensa repudiam a postura e denunciam tentativa de constrangimento à jornalista.

O governador de Minas Gerais, Mateus Simões (PSD), mostrou mais uma vez o seu descontrole ao ser confrontado com perguntas perguntas incômodas. Durante uma sabatina promovida pelo jornal O Tempo, na última quarta-feira (16), o “vice de Zema” interrompeu a jornalista Tatiana Lagôa e partiu para o ataque pessoal quando foi questionado sobre a atuação do governo para reverter a suspensão do licenciamento ambiental na Serra do Curral.
A pergunta da repórter foi objetiva: considerando a atuação da Advocacia-Geral do Estado no caso, Tatiana Lagôa quis saber se Simões manteria essa posição se reeleito.
Trata-se de uma cobrança legítima sobre uma decisão concreta do governo e o futuro de um patrimônio ambiental e cultural do estado.
Em vez de responder, Simões reagiu de forma hostil. Acusou a jornalista de ser “desleal”, de “defender uma tese política” e de manifestar “posição ideológica”. Por fim, recusou-se a responder e ironizou a repórter, sugerindo que ela disputasse um cargo eletivo.
Entidades e parlamentare se manifestam
A Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ), o Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Minas Gerais e o Coletivo Lena Santos de Jornalistas Negras e Negros repudiaram a atitude. As entidades afirmaram que é inadmissível que uma jornalista seja constrangida, desqualificada ou transformada em alvo de ataques pessoais justamente por exercer sua função profissional. Também destacaram que sabatinas e entrevistas existem justamente para que jornalistas possam fazer perguntas incômodas e cobrar explicações de agentes públicos.
A deputada estadual Lohanna (PV) postou um vídeo em suas redes sociais criticando a postura do governador. Ela chamou a reação do vice de Zema de “chilique” e “faniquito”.
Mas, afinal: o que o governo quer fazer na serra do curral?
A pergunta de Tatiana não surgiu do nada. Ela tratava da atuação da Advocacia-Geral do Estado para tentar reverter a suspensão do licenciamento ambiental relacionado à Serra do Curral, área reconhecida como patrimônio protegido pelo Iphan.
A questão envolve um conflito que interessa diretamente à população: de um lado, a proteção ambiental e patrimonial de uma das áreas mais simbólicas de Belo Horizonte e da Região Metropolitana; de outro, os interesses relacionados à atividade minerária e às decisões administrativas que podem permitir ou restringir intervenções na região.
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O Bloco Democracia e Luta se solidariza com a jornalista Tatiana Lagôa e repudia a postura de Mateus Simões. Minas Gerais precisa de autoridades dispostas a prestar contas, não de governantes que tentem desqualificar quem cobra respostas. Defender a imprensa é defender o direito da população de saber, questionar e fiscalizar quem ocupa o espaço de poder.
Clique para saber mais sobre a Operação Rejeito da Polícia Federal em parceria com o Ministério Público Federal e a Controladoria-Geral da União (CGU), que expôs a corrupção sistêmica dentro da mineração no governo Zema/Mateus Simões:





