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Governo Zema/Simões mantém farra de contratos temporários na UEMG enquanto atrasa nomeações de aprovados em concurso

Entre promessas e números, decisões da gestão do governo afetam diretamente servidores, estudantes e o futuro da universidade

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Aprovados em concurso da Uemg cobram do Governo de Minas previsão para as nomeações durante audiência na ALMG. Foto: Guilherme Bergamini

A Universidade do Estado de Minas Gerais (UEMG) enfrenta um cenário de falta de servidores efetivos e indefinição sobre a nomeação de candidatos aprovados em concurso público. Mesmo após a homologação do resultado final do Edital nº 1/2025, o Governo de Romeu Zema (Novo) e Mateus Simões (PSD) ainda não apresentou um cronograma para as nomeações. O concurso era aguardado há anos pelos servidores.

A situação foi discutida em audiência pública da Comissão de Educação, Ciência e Tecnologia da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), realizada na última terça-feira (18/8/26), a pedido da deputada Beatriz Cerqueira (PT), presidenta da Comissão.

Representantes dos aprovados no concurso cobraram do Estado uma previsão para o início das convocações, enquanto o governo limitou-se a transferir a responsabilidade para travas burocráticas, citando a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), o período eleitoral e a necessidade de aval do Comitê de Orçamento e Finanças (Cofin). Na prática, a falta de planejamento do Estado mantém centenas de trabalhadores no limbo, enquanto a universidade opera no limite do colapso administrativo.

O concurso ofereceu 178 vagas, sendo 99 para analistas universitários e 79 para técnicos universitários. Das 178 vagas, seis não serão preenchidas porque não houve candidatos aprovados. Das 172 restantes, apenas 20 serão ocupadas por servidores que atualmente estão em contratos temporários e foram aprovados em primeiro lugar, segundo o governo. O representante do Executivo informou, ainda, que outras 60 correspondem a vagas já existentes e 92 dependem da rescisão de contratos temporários.

Radiografia do sucateamento

A indefinição sobre as nomeações ocorre enquanto a UEMG já enfrenta um quadro reduzido de servidores para atender sua estrutura. Segundo dados apresentados pelo reitor Vinicius de Abreu D’Avila na audiência, a universidade possui cerca de 23 mil estudantes matriculados em 22 unidades distribuídas por 19 cidades, além de 27 polos de educação a distância. Toda essa estrutura conta atualmente com apenas 632 servidores técnico-administrativos.

Na prática, são aproximadamente 54 estudantes para cada servidor administrativo. De acordo com o reitor, a proporção é mais que o dobro da média de 22 estudantes por servidor registrada em outras universidades estaduais e municipais.

O cenário evidencia um dos principais problemas enfrentados pela universidade: a necessidade de ampliar e efetivar o quadro de trabalhadores para garantir o funcionamento adequado de uma instituição presente em diferentes regiões de Minas Gerais.

Contratos temporários

Os dados apresentados pela própria reitoria também revelam a dimensão da dependência de contratos temporários na Uemg. Entre os 284 analistas universitários, apenas 30 são efetivos, enquanto 254 estão contratados temporariamente. Isso significa que cerca de 90% dos analistas atualmente em exercício possuem vínculo temporário.

Entre os técnicos universitários, são 48 servidores efetivos e 124 temporários. Nesse grupo, aproximadamente 72% dos profissionais são contratados temporariamente.

A situação chama atenção porque a contratação temporária deveria atender a necessidades excepcionais e transitórias.

A ilegalidade como política de Estado


A dependência crônica de contratos temporários foi classificada como uma flagrante afronta à Constituição Federal, que restringe contratações sem concurso apenas a casos excepcionais e transitórios.

A deputada Beatriz Cerqueira (PT), presidenta da Comissão de Educação, criticou a manutenção desse modelo como prática recorrente.

Se eu contrato todo santo ano, eu estou demonstrando que minha necessidade é permanente. O governo faz da excepcionalidade a regra do jogo”.

Minas tem mais de 11 milhões sem educação básica completa e governo aprofunda crise na EJA

Deputada Beatriz Cerqueira (PT), presidenta da Comissão de Educação

O cenário reforça uma cobrança que já vem sendo feita pelo Bloco Democracia e Luta em defesa das universidades estaduais. Em março deste ano, servidores da Uemg e da Unimontes denunciaram, em audiência pública, problemas relacionados à valorização das carreiras e às condições de trabalho nas instituições.

Em 2025, o Bloco também havia denunciado na Assembleia, propostas do Governo Zema que poderiam afetar a estrutura e o patrimônio da UEMG, defendendo a manutenção da universidade como instituição pública, gratuita e de qualidade.

Oposição cobra mediação e cronograma

Diante da falta de uma previsão concreta para as nomeações, a deputada Beatriz Cerqueira informou que encaminhará ao Ministério Público de Minas Gerais um pedido para a criação de uma mesa de mediação. A proposta é buscar um cronograma possível considerando as restrições apresentadas pelo governo.

Os aprovados também organizaram uma comissão para acompanhar o cumprimento do edital. Durante a audiência, integrantes do grupo relataram a expectativa pela convocação e os impactos provocados pela falta de definição.

A comissão de aprovados entregou à deputada Beatriz Cerqueira um relatório com informações sobre a situação dos contratos temporários da universidade.

Fortalecer a UEMG exige servidores efetivos

A situação exposta na Assembleia mostra que o problema da UEMG não se resume à espera dos aprovados pelo concurso. A universidade atende milhares de estudantes em diferentes regiões de Minas Gerais com um quadro administrativo considerado insuficiente pela própria reitoria e ainda mantém uma quantidade elevada de trabalhadores temporários.

Para o Bloco Democracia e Luta, garantir o funcionamento adequado da universidade pública passa pela valorização dos servidores, pela recomposição do quadro efetivo e pela transparência sobre as nomeações. A realização de um concurso público perde parte de sua efetividade quando os aprovados permanecem sem previsão para assumir e a instituição continua dependente de contratos temporários.

A cobrança agora é para que o Governo de Minas apresente uma solução concreta e transparente para as nomeações e para o fortalecimento permanente do quadro de servidores da Uemg.

Fonte: ALMG

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