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Zema usa tragédia no Rio para construir palanque e esconder crise na segurança pública de Minas

Bloco Democracia e Luta denuncia populismo do governador e expõe aumento da violência e avanço do crime organizado em território mineiro

Zema usa tragédia no Rio para construir palanque e esconder crise na segurança pública de Minas
Policiais civis aprovaram, em assembleia realizada no dia 28/10, a “estrita legalidade”, em que os agentes farão apenas o que está previsto em lei. Reprodução Instagram @sindpolmgoficial

O governador Romeu Zema (Novo) se esconde da realidade e usa o holofote da operação realizada no Rio de Janeiro para bradar uma falsa imagem de gestor. Ao pegar carona na barbárie, ele tenta, ainda, esconder que Minas Gerais vive uma das maiores crises na segurança pública.

No dia 28 de outubro, a Polícia Civil de Minas Gerais anunciou o início da operação de “estrita legalidade”, em que os agentes fazem apenas o que está previsto em lei. Naquele mesmo dia, o governador Cláudio Castro, alidado de Zema, realizava a megaoperação contra o Comando Vermelho, nos complexos do Alemão e da Penha. Zema, que há sete anos negligencia a seguração pública de Minas Gerais, mais uma vez ignorou seu dever de casa e foi buscar palanque eleitoral no estado vizinho. Diante da operação policial mais letal da história, com mais de 120 mortos, entre eles quatro policiais, o governador de Minas disse que se tratava da “mais bem-sucedida da história”.

O governador, que deveria enfrentar o avanço do crime organizado em seu próprio estado, prefere usar a dor alheia como palanque, fugindo da responsabilidade e tentando esconder a falência da política de segurança mineira.

Minas na contramão do enfrentamento à violência

Conforme o Anuário 2025 de Segurança Pública, Minas Gerais registrou aumento de 5% nas mortes violentas entre 2023 e 2024, enquanto o Brasil apresentou queda de 5,4% no mesmo período. O estado ocupa o terceiro lugar no ranking de maiores crescimentos percentuais de homicídios dolosos, com alta de 7,38%, contrariando a tendência nacional de queda, conforme o Mapa da Segurança Pública.

Os dados revelam uma realidade ainda mais grave: o crescimento de facções criminosas, como o Comando Vermelho e o PCC, em território mineiro, foi intensificada nos últimos cinco anos. “O crime organizado já está entranhado em Minas, e faltam condições materiais e humanas para atuação. A situação é grave”, declarou o Sindicato dos Policiais Civis em audiência pública na ALMG, no último dia 13 de outubro.

LEIA: Minas Gerais vai na contramão do país e registra aumento da violência, aponta Anuário 2025

Forças policiais em colapso e salários defasados

A imagem de “eficiência” projetada pelo governo contrasta drasticamente com o colapso operacional vivenciado pelas forças de segurança estaduais. A crise é marcada pelo déficit crônico de efetivo, que compromete a capacidade de resposta das corporações, e pela defasagem salarial alarmante, que já alcança 44,79%.

A precariedade atinge níveis críticos, como o rodízio de viaturas implementado devido à escassez de combustível. Na Polícia Civil, o quadro é insustentável: a instituição conta com apenas pouco mais de 10 mil policiais, distante do ideal de 18 mil para cobrir a totalidade dos 853 municípios de Minas Gerais.

A chamada “estrita legalidade” na Polícia Civil é em protesto contra a falta de valorização e de condições de trabalho. O descontentamento se soma às queixas dos policiais militares e penais, que também reivindicam reajuste salarial e melhores condições para exercer suas funções.

Viaturas sem gasolina

O desprezo do governo Zema com a segurança pública chegou ao cúmulo de viaturas da Polícia Civil poderem ser abastecidas, no máximo, cinco vezes por mês. O limite foi imposto pela administração estadual após Zema anunciar um corte de R$ 1,1 bilhão em recursos. O Sindicato dos Servidores da Polícia Civil de Minas Gerais (Sindipol) denuncia que o contingenciamento está prejudicando as investigações.

LEIA: Abastecimento de viaturas da Polícia Civil de MG é limitado por corte de recursos

Zema foge do debate nacional sobre segurança pública

Sempre preocupado apenas em “lacrar” nas redes sociais, Zema se recusa a dialogar sobre soluções concretas para o problema da violência. Em outubro do ano passado, ele não aceitou o convite do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para participar da reunião com os governadores para discutir uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) para reformar a estrutura da segurança pública no país. A decisão expõe o desinteresse do governador em buscar soluções conjuntas para o enfrentamento do crime organizado — o mesmo que ele tenta usar como bandeira eleitoral.

A ausência de Zema na reunião reforça o que a oposição vem denunciando: o governador prefere o palco à construção de soluções reais. Enquanto tenta posar de gestor eficiente nas redes e em eventos fora do estado, se omite nos espaços de debate e coordenação nacional, demonstrando mais interesse em confronto político do que em enfrentar o colapso da segurança em Minas Gerais.

Letalidade policial e mortes de agentes disparam em Minas

Minas Gerais enfrenta um aumento alarmante na letalidade policial e nas mortes de agentes de segurança pública. Segundo o Mapa da Segurança Pública de 2025, entre 2023 e 2024 o total de pessoas mortas por policiais subiu 43,17%, passando de 139 para 195 casos. Esse crescimento só ficou atrás de São Paulo, e a região Sudeste foi a única do país a registrar aumento nesse tipo de crime.

O aumento da letalidade reflete a falta de planejamento e de controle das ações policiais em Minas, em meio ao colapso das forças de segurança. Além disso, o número de agentes de segurança mortos também subiu significativamente. Em junho deste ano, o Mapa da Segurança já mostrava um crescimento 33,33% , passando de 3 para 4 casos, bem acima da média nacional de 6,77%.

E os números continuaram aumentando. O caso mais recente foi do policial militar Vinícius de Castro Lima, de 37 anos, morto com oito tiros durante uma tentativa de assalto, em Belo Horizonte (MG).

Crise de saúde mental evidencia falência da gestão de Zema

Dados do Mapa da Segurança Pública de 2025 também mostram que Minas é o segundo estado do país com mais suicídios entre a população geral, com 2.006 casos registrados em 2024, sendo 1.566 homens e 440 mulheres.

Entre os agentes de segurança, Minas ocupa o terceiro lugar no país, com 16 suicídios registrados no último ano, número inferior apenas a São Paulo (17) e Rio de Janeiro (18). Do total, 13 homens e 3 mulheres das forças de segurança tiraram a própria vida, revelando o impacto do colapso do sistema sobre os próprios profissionais protegem a população.

Esses números expõem mais um efeito da falta de políticas públicas consistentes e da ausência de investimento em valorização e suporte às forças de segurança durante a gestão de Zema. A crise não se limita apenas à violência urbana: atinge diretamente a vida e a saúde mental de quem atua na linha de frente.

LEIA: MG é o 2º Estado com mais suicídios e o 3º com mais agentes de segurança que tiraram a vida

Populismo e descaso com Minas

O populismo de Zema em torno da pauta da segurança pública às vésperas da eleição escancara dois únicos movimentos: pegar carona em cima do sangue derramado e jogar para debaixo do tapete a falta de planejamento e investimento para combater o crime organizado no estado para o qual foi eleito e não governa.

Enquanto isso, o governador viaja pelo país e engrossa uma farra de quase 400 voos durante o atual mandato, segundo levantamento da imprensa mineira. Para a oposição, as declarações de Zema no Rio de Janeiro confirmam o distanciamento entre o discurso e a realidade de Minas Gerais: um estado abandonado à própria sorte na segurança pública.

Leia mais: Dia do Servidor Público é marcado por abandono e desmonte sob o governo Zema

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