Aulão da Secretaria de Educação termina em pancadaria, feridos e fuga do governador; deputados cobram explicações e denunciam improviso e uso político do evento

O “aulão” realizado no Mineirão com o objetivo de entrar para o Guinness Book como a “maior aula de inteligência artificial do mundo” não passou de uma ação de marketing sem vínculo com a realidade das escolas públicas de Minas. A tentativa de reunir cerca de 40 mil estudantes, com quase mil ônibus vindos de 11 cidades da Região Metropolitana de Belo Horizonte, terminou em confusão generalizada, atraso e violência.
O episódio expôs milhares de jovens da rede pública a risco, sem qualquer estrutura adequada ou planejamento, como denunciaram parlamentares da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG).
Presentes no evento, o governador Romeu Zema e o vice Mateus Simões deixaram o local após o início da pancadaria. A presença dos dois, ambos já posicionados como pré-candidatos — Zema à Presidência e Simões ao governo do Estado em 2026 — tinha o objetivo de transformar um evento educacional em peça de campanha.
A deputada Beatriz Cerqueira (PT), presidenta da Comissão de Educação da ALMG, classificou o aulão como “ação eleitoreira”. Segundo ela, foi “fazer da educação palanque pré-eleitoral por gente que não entende nada de educação”, e anunciou a convocação do secretário Rossieli Soares para prestar esclarecimentos.
Improviso, caos e irresponsabilidade!
A dinâmica do evento revela o descuido do governo Zema com a segurança dos estudantes. A confusão começou após os mestres de cerimônia perguntarem “Quem é Galo? Quem é Cruzeiro?”, instigando rivalidade entre torcidas no estádio lotado. O resultado foi briga generalizada, trocas de agressões e objetos arremessados, com alunos desmaiando, machucados e correria pelo Mineirão.
A deputada Lohanna França (PV) destacou a negligência: “Jogaram 30 mil alunos no Mineirão, sem segurança, sem estrutura, e ainda citaram Atlético X Cruzeiro no meio da atividade. Resultado: briga, correria, feridos e caos.”
A vice-presidente da ALMG, Leninha (PT), afirmou que Zema colocou milhares de estudantes em “puro risco” e exigiu explicações. Bella Gonçalves (PSOL) foi direta: “Uso da máquina pública para pré-campanha, má gestão e organização e jovens em uma situação completamente desordenada e insegura… Zema cada dia surpreende ainda mais com sua incompetência.”
O Sind-UTE, que já havia alertado antes do evento, denunciou o caráter fictício da iniciativa: “Um evento voltado para encher estádio e buscar recorde no Guinness não passa de uma ação de marketing… As escolas continuam sem as condições básicas para que esses conceitos existam de verdade.”
A face política do fiasco
O deputado Cristiano Silveira (PT) reforçou a crítica ao governador. “Zema não acerta uma: tentou levar milhares de estudantes ao Mineirão para um ‘aulão’ de IA sem segurança nem planejamento, só para se promover. O resultado foi briga generalizada. Investir em educação ele não quer, né? 40% das escolas mineiras não tem nem acesso à internet.”
Para Camila Moraes, Secretária-geral da União Nacional dos Estudantes (UNE), o episódio comprova o desinteresse de Zema pelos problemas reais: “Ele não faz a menor ideia dos desafios da educação pública. Está mais preocupado em acionar o mercado financeiro e as elites econômicas do que resolver os problemas reais.”
A lógica de Zema sobre educação
O aulão no Mineirão não foi um equívoco isolado. Ele expõe a lógica de um governo que converte a educação em espetáculo, sacrifica a segurança dos estudantes e usa o aparato público como trampolim eleitoral. Minas Gerais precisa de política educacional séria, não de eventos midiáticos que colocam vidas em risco.
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