Audiência Pública marca o lançamento da campanha salarial para os servidores das duas universidades estaduais

Servidores da Universidade do Estado de Minas Gerais (Uemg) e da Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes) lotaram audiência pública da Comissão de Educação, Ciência e Tecnologia da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), nessa quinta-feira (27/3/25), para lançar a campanha salarial 2025 da categoria. Em meio a protestos, eles denunciaram defasagem salarial que chega a 72% no caso dos professores e a mais de 84% para técnicos e analistas.
A reunião foi requerida pela deputada Beatriz Cerqueira (PT), presidenta da Comissão. Ela destacou a importância da Assembleia como um lugar de defesa dos direitos dos trabalhadores. Também participaram as deputadas Lohanna (PV) e Bella Gonçalves (Psol), todas do Bloco Democracia e Luta.
Os servidores reivindicam reajuste salarial, melhorias nos planos de carreira, abertura de concursos públicos para contratação de novos professores e mais recursos orçamentários para garantir a autonomia universitária, dentre outras demandas visando à melhoria da qualidade de ensino. Eles ainda alegaram o descumprimento pelo governador Romeu Zema do acordo realizado entre as entidades sindicais da categoria e o governo de Minas Gerais, em 2016, quando o Poder Executivo se comprometeu com a incorporação das gratificações no vencimento básico dos servidores e uma carreira compatível com a função de um professor universitário.
A deputada Beatriz Cerqueira lembrou que as questões tratadas pelo acordo de 2016 e que não foram executadas pelo Estado são objeto de dois projetos de lei de sua autoria, que tramitam na ALMG. O PL 3.218/24 institui a dedicação exclusiva como regime de trabalho preferencial nas universidades estaduais. Já o PL 3.219/24 cria funções gratificadas para os professores que ocupam cargos de gestão na Uemg.
O descaso de Zema com o funcionalismo público
Após anos sem reajuste salarial justo, os servidores públicos de Minas continuam enfrentando o descaso e a falta de compromisso do governador Romeu Zema. Enquanto promove um verdadeiro sucateamento do serviço público, Zema ignora as necessidades da categoria. No dia 18/3/25, durante uma audiência pública na Assembleia Legislativa, o secretário da Fazenda, Luiz Cláudio Gomes, confirmou que não há garantias de reajuste para 2025.
Entretanto, esse é o mesmo governo que, na propaganda, diz ter “colocado Minas nos trilhos”. O mesmo que aumentou seu próprio salário em 300% e concede benefícios fiscais a empresários amigos e financiadores de campanha.
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“Eu já expressei muitas vezes a vergonha que é para Minas Gerais a prática de tabelas salariais tão baixas e vencimentos básicos inferiores ao salário mínimo. E a vergonha de nós não termos uma carreira que estimule os nossos docentes e o quadro técnico”.

Deputada Estadual Beatriz Cerqueira (PT)
“A Uemg e a Unimontes, em um Estado tão importante como Minas Gerais, têm o segundo pior salário de professor universitário do País”.

Deputada Estadual Lohanna (PV)
“Um Estado que dá 22 bilhões de reais de isenção fiscal, mas não quer diminuir o ICMS dos alimentos, mostra que existe um direcionamento claro de priorizar um grupo de empresários, uma casta política que não se preocupa com o serviço público, com a vida do trabalhador”.

Deputada Estadual Bella Gonçalves (PSOL)
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