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Dívida bilionária, liquidação do patrimônio, escândalos de corrupção e abandono: a conta amarga que Zema deixa para Minas em 2025

Bloco Democracia e Luta atuou na linha de frente contra o projeto de desmonte do governo Zema, enfrentando ataques à educação, à saúde, à segurança, ao meio ambiente, aos serviços públicos e aos direitos do povo mineiro, dentro e fora da Assembleia Legislativa.

Gemini IA a conta amarga que Zema deixa para Minas em 2025
Ilustração: IA

O ano de 2025 entrará para a história de Minas Gerais como o período em que a máscara do “equilíbrio fiscal” caiu, revelando um estado completamente entregue a interesses escusos. Enquanto o governador Romeu Zema (Novo) trocava a gestão pública por performances em redes sociais e campanhas eleitorais antecipadas com recursos públicos – protagonizando cenas bizarras como o episódio da “banana com casca” -, a Assembleia Legislativa, com destaque para a resistência do Bloco de Oposição, assumia o papel de para-choque contra o desmonte do patrimônio mineiro.

Frente aos projetos de privatizações, de cortes sociais, arrocho salarial e favorecimento a grandes interesses econômicos, a “Minoria” na Assembleia Legislativa, que mais um vez atuou como gigante, ocupou a linha de frente para defender os interesses e o patrimônio do povo e construir alternativas reais para o futuro mineiro.

Ao longo do ano, o Bloco Democracia e Luta denunciou irregularidades, enfrentou retrocessos, construiu vitórias parlamentares e esteve presente nas mobilizações populares em defesa da educação, da saúde, dos servidores públicos, do meio ambiente. Esta retrospectiva reúne os principais momentos dessa trajetória de luta, marcada pela firme oposição ao projeto de Zema e pelo compromisso permanente com os direitos do povo de Minas Gerais.

O fim do RRF e a vitória do PROPAG

A maior derrota política de Zema em 2025 foi o enterro definitivo do Regime de Recuperação Fiscal (RRF). O projeto, que o governador privatista tentou impor goela abaixo, previa o congelamento de salários, a precarização de serviços e a venda desenfreada de estatais, além de aumentar ainda mais a dívida, que, nos últimos sete anos, passou de R$ 114 bilhões para .R$ 201 bilhões.

A virada de chave veio através da articulação do Bloco de Oposição junto ao Governo Federal. Com a liderança do presidente da ALMG, Tadeu Leite, e o apoio do senador Rodrigo Pacheco, nasceu o Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag). Ao contrário do “oportunismo” de Zema, o Propag apresentou uma solução real para a dívida sem exigir o sacrifício da Copasa, provando que o governo federal nunca impôs a venda de estatais como condição para adesão ao programa.

Privatização da Copasa: autoritarismo contra a vontade popular

Sem votos e sem apoio das pesquisas, que mostram a rejeição maciça do povo à venda da água, Zema optou pelo caminho do autoritarismo e derrubou a obrigatoriedade do referendo popular. A pressa em vender a Copasa não é técnica, é política. É o combustível financeiro para projetos eleitorais, ignorando o impacto social e o desmonte do Estado.

No dia 17/12, mesmo após mobilização forte de trabalhadores e resistência da oposição, o governador Zema conseguiu aprovar na ALMG o projeto que autoriza a privatização da Copasa, em mais um ato de transformação do direito essencial em mercadoria e enfraquecimento do papel do Estado na garantia de serviços básicos.

Diante de irregularidades constatadas na tramitação do projeto de privatização da Copasa e também da PEC do Referendo, inclusive com denúncias de monitoramento ilegal de deputados, o Bloco Democracia e Luta já acionou o TCE-MG e o STF, além da coleta assinaturas para a CPI da Espionagem.

Leia: Zema avança sobre a Copasa, ignorando a vontade do povo mineiro, que disse não à privatização

Apesar dos esforços de Zema para desestatizar também a Cemig, a Codemig e a Gasmig, as propostas estagnaram diante da resistência generalizada dos deputados mineiros.


O “Saldão” de imóveis

Outro ponto crítico foi a tentativa de vender o patrimônio imobiliário público de Minas a “preço de banana”. Sob a falsa justificativa de amortizar a dívida com a União, Zema orquestra o maior saldão da história de Minas Gerais.

O projeto original era uma caixa-preta que permitia descontos de até 45% sem sequer listar os bens. Foi a obstrução técnica da oposição que forçou o envio da lista que Zema queria vender para os amigos empresários: 343 imóveis, entre escolas, universidades e até hospitais.

Graças à resistência do Bloco Democracia e Luta, esse número já caiu para 209, tendo retirado da lista instituições vitais como Uemg, Unimontes e Emater. A margem de desconto para venda, caso a União não tenha interesse nos imóveis, agora é de 25%. Apesar da redução, o bloco de oposição ainda considera o projeto absurdo e segue obstruindo na tentativa de impedir a sua votação na Assembleia.

Leia: Deputados freiam saldão de imóveis do governo Zema, mas luta pelo patrimônio mineiro continua

O colapso das contas

Os números de 2025 desmentem a propaganda oficial:

Dívida explosiva: Sob Zema, a dívida de Minas saltou de R$ 114 bilhões para mais de R$ 200 bilhões.

Renúncias fiscais: Um aumento de 600% nas isenções (de R$ 4 bi para R$ 24 bi), favorecendo setores específicos que o governo não revela quais são, enquanto o déficit orçamentário ultrapassa os R$ 5 bilhões.

Educação sob ataque: arrocho salarial, desvalorização e resistência nas escolas e universidades

Para barrar os sistemáticos ataques do governo à educação mineira, a oposição foi ao TCE-MG contra as escolas cívico-militares e o projeto Mãos Dadas. Conseguiu evitar a privatização e a militarização das escolas e retirar as auxiliares de serviços gerais (merendeiras e faxineiras das escolas) da ilegalidade e injustiça de receberem menos de um salário-mínimo.

O grupo parlamentar também denunciou vetos do governador que prejudicavam recursos do Fundeb e tentou aprovar na ALMG emendas que garantissem recomposição salarial justa para todas as categorias da educação.

Menos estradas, mais pedágios

Mesmo com as indenizações do crime da Vale, Zema não conseguiu fazer obras. Ao longo dos últimos anos, a infraestrutura piorou e problemas como o abandono das estradas evidenciam a incapacidade de gestão: Minas recebeu bilhões, mas o povo só recebeu buracos, poeira e descaso.

Se faltaram obras nas estradas, sobraram praças de pedágio – um problema que só não foi maior porque o bloco de oposição atuou para barrar os projetos de Zema. Um exemplo foi o edital para conceder 124 km de rodovias da RMBH (trechos de MG-010, MG-424, LMG-800) com 12 praças de pedágio (algumas apenas 4 km distantes entre si). A ideia provocou enorme revolta popular, e o bloco articulou propostas de freio aos pedágios.

Como resultado da pressão, o Tribunal de Contas de MG abriu investigação e o edital segue suspenso.

Na contramão do Brasil, Minas tem segurança pública sucateada e umento da criminalidade

Outro foco foi a reivindicação dos profissionais de segurança. Enquanto no Brasil os índices de criminalidade registram queda, Minas Gerais segue na contramão. Entre as denúncias, destaca-se a de que os cortes orçamentários comprometeram até o funcionamento das viaturas, que chegaram a ficar sem combustível. O caos na segurança em Minas também foi destaque na imprensa nacional, com denúncias de desvio de armas para o crime organizado e de fábrica clandestina de fuzis.

O Bloco Democracia e Luta denunciou populismo do governador Zema por usar tragédia no Rio para construir palanque e esconder crise na segurança pública de Minas.

Com uma estrutura sucateada, policiais e bombeiros organizaram atos em BH cobrando reajuste salarial e direitos básicos. Diante da pressão da oposição, Zema retomou em março/2025 o vale-alimentação para as forças de segurança (R$ 50/dia) — benefício que havia vetado desde 2020

No entanto, deputados do bloco apontaram que essa é uma medida insuficiente: os servidores enfrentam hoje defasagem salarial superior a 40%, de modo que o auxílio-anúncio não substitui uma recomposição real dos salários.

Paralelamente, o bloco cobrou a ampliação de benefícios básicos (como plano de carreira e reajuste inflacionário) a todos os servidores públicos, lembrando que muitas categorias aguardam recomposição anual ou sequer têm piso salarial garantido.

Saúde em colapso: terceirização, obras paradas e o desmonte do SUS em Minas

Na área da saúde, Minas está no CTI, chegando a ter o principal hospital de pronto-socorro do estado, o Hospital João XXIII, debaixo d’agua. Ao longo de todo o ano, o bloco denunciou o acelerado desmonte e a falta de investimentos do governo.

Em março, parlamentares e entidades de saúde protocolaram junto ao TCE representação contra a terceirização do Hospital Maria Amélia Lins (HMAL). Eles apontaram inúmeras irregularidades no edital de concessão – falta de análise do Conselho de Saúde, ausência de estudos obrigatórios e risco de paralisação do hospital – pedindo a suspensão imediata do processo. 

Pouco depois, o TCE-MG concedeu liminar proibindo a assinatura de qualquer contrato de terceirização do HMAL, citando expressamente a falta de documentação básica e o risco de “dano concreto” caso a licitação prosseguisse. Além disso, o bloco seguiu cobrando respostas sobre seis hospitais regionais prometidos por Zema (em Conselheiro Lafaiete, Juiz de Fora, Divinópolis, Governador Valadares, Sete Lagoas e Teófilo Otoni). Até agora, apenas o último foi entregue.

O bloco denunciou que cerca de 6,7 milhões de mineiros continuam sem acesso a esses hospitais prometidos, evidenciando o descumprimento das promessas de campanha e o abandono da rede pública de saúde. Denúncias complementares (como a precarização do Hospital Júlia Kubitschek, com UTIs fechadas por falta de equipe, e a suspensão de atendimentos no Risoleta Neves) reforçaram o quadro de colapso na saúde pública.

Escândalos de corrupção

Em 2025, Minas também viu escancarado o maior escândalo de corrupção da história do estado, com a Operação Rejeito, deflagrada no dia 17 de setembro pela Polícia Federal em parceria com o Ministério Público Federal e a Controladoria-Geral da União (CGU). A investigação revelou a captura deliberada do Estado por interesses privados, a conversão de órgãos ambientais em balcões de negócios e a transformação das montanhas de Minas em mercadorias a serviço da corrupção.

Enquanto isso, os servidores do Meio Ambiente faziam greve para denunciar o sucateamento e uma defasagem salarial de 85%.

O Bloco Democracia e Luta também denunciou o desmonte das políticas ambientais em Minas Gerais, apontando o favorecimento do governo Zema a empresas mineradoras, que exploram patrimônios naturais e cartões-postais do estado.

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O impacto do ICMS e a omissão de Zema

No início de 2025, o governo de Minas elevou o ICMS sobre combustíveis, encarecendo o litro de gasolina e diesel em todo o estado. O bloco protestou contra esse reajuste tributário com um projeto de resolução para impedir aumentos automáticos de preço dos combustíveis decorrentes de convênios do Confaz

Enquanto tentava “lacrar” nas redes sociais comendo “banana com casca” para criticar a alta nos preços dos alimentos, Zema, numa canetada, aumentou o preço da carne e de outros alimentos em Minas.

Zema chegou a apoiar o tarifaço de Trump, colocando a politicagem acima dos empregos. Empregos, aliás, que o Brasil bateu recorde e Minas também ficou atrás.

Servidores na linha de frente: luta por recomposição salarial e combate ao assédio moral

O bloco defendeu a recomposição salarial e as condições de trabalho de todo o funcionalismo. Os parlamentares reivindicaram reajuste geral para os servidores estaduais. Os parlamentares também denunciaram casos de uso indevido de verba pública e casos de assédio moral. Em 2025 foi anunciada a formação de uma “Frente Parlamentar de Combate ao Assédio Moral no Trabalho”, com o objetivo de propor leis e políticas para prevenir práticas abusivas nos órgãos públicos. 

Em debates públicos, ficou evidente que muitas categorias ainda sofrem com anos de congelamento salarial; como destacado pela oposição, itens básicos (plano de saúde, vale-alimentação, promoção funcional) seguem em negociação, e os deputados reafirmaram a pressão para que a reposição inflacionária seja estendida a todos os servidores.

Vetos contra o povo: Zema tenta barrar direitos, oposição reage e conquista vitórias

Ao longo do ano, o bloco mobilizou-se para barrar vetos do governador em temas sociais. Em abril/2025, por exemplo, a ALMG derrubou o veto de Zema à criação de centros regionais de atendimento a pessoas com autismo. A aprovação do dispositivo (Veto 19/25) foi saudada pelo bloco como uma “vitória histórica” e um recado de que o Legislativo não permitiria o retrocesso de direitos.

Em outra frente, foi derrubado veto relacionado a benefícios para cuidadoras de pessoas com deficiência (severas vítimas de violência doméstica), garantindo o direito à mudança de local de trabalho em caso de risco. Embora nem todos os vetos questionados tenham sido revertidos, essas ações do bloco mostraram disposição da oposição em defender políticas de assistência social, educação especial e inclusão (como os direitos de mulheres e pessoas com deficiência) frente às resistências do Executivo.

Em maio, o plenário da ALMG derrubou por ampla maioria o veto que impedia servidoras vítimas de violência doméstica de mudar de local de trabalho, mantendo assim o direito à transferência nessas situações. Esse episódio demonstrou a atuação do bloco em garantir avanços legislativos mesmo diante das resistências do governo.

Defesa do povo e do território: resistência das comunidades do campo e populações atingidas

Paralelamente, o bloco se colocou em defesa das comunidades tradicionais e do meio rural. Em audiências públicas realizadas no Norte de Minas e em outras regiões, parlamentares levaram aos debates as denúncias de agricultores e populações atingidas por empreendimentos minerários e obras sem consulta popular. Chamaram atenção ao “descaso do governo com o campo” e aos abusos ambientais cometidos por grandes empresas, frisando que o Estado deve proteger as famílias e o território. 

Nesses eventos, ficou claro à valorização das reivindicações do povo do campo, exigindo que o desenvolvimento não seja realizado em prejuízo das comunidades locais. 

Avanço na igualdade racial: conquista popular diante de um governo omisso

Em 2025 o bloco celebrou também uma conquista legislativa importante: a sanção do Estatuto Estadual da Igualdade Racial de Minas Gerais. A lei (Lei 25.150/2025) foi aprovada em dezembro de 2024 e entrou em vigor em janeiro de 2025. Trata-se de norma de autoria das deputadas do bloco – Andréia de Jesus, Ana Paula Siqueira e Leninha – e da ministra Macaé Evaristo (então deputada licenciada). 

O bloco enfatizou que o Estatuto é “resultado de um processo coletivo de participação popular” e representa um marco histórico no combate ao racismo e na promoção da justiça social em Minas Gerais. Com ampla repercussão, a nova lei estabelece políticas públicas para prevenir a discriminação racial e fortalecer direitos da população negra, indígena e de comunidades tradicionais em todas as áreas (educação, saúde, trabalho, etc.).

Os deputados do bloco reforçaram que essa vitória política só foi possível graças à mobilização de movimentos sociais negros e aliados, e prometem fiscalizar de perto sua implementação no orçamento estadual.

Fiscalizar, denunciar e resistir

O balanço de 2025 evidencia que a atuação do bloco Democracia e Luta esteve diretamente conectada às principais tensões sociais, econômicas e políticas vividas por Minas Gerais. Diante de um governo marcado por arrocho salarial, privatizações, cortes em políticas públicas e falta de transparência, o bloco exerce um papel permanente de fiscalização, denúncia e formulação de alternativas, utilizando os instrumentos institucionais da Assembleia Legislativa e dialogando de forma constante com trabalhadores, movimentos sociais e comunidades atingidas.

Ao longo do ano, o bloco esteve presente nas lutas em defesa da educação pública, do SUS, dos servidores estaduais, do meio ambiente, do patrimônio público e dos direitos sociais, conquistando vitórias importantes, como a derrubada de vetos, a suspensão de projetos lesivos e a aprovação de marcos legislativos relevantes, a exemplo do Estatuto da Igualdade Racial. Ao mesmo tempo, seguiu denunciando retrocessos, ilegalidades e o aprofundamento das desigualdades promovidas pela gestão Romeu Zema.

Em um contexto de aprofundamento do conflito entre um projeto de Estado mínimo e as necessidades da população mineira, o bloco encerra o ano confirmando seu compromisso com a democracia, os direitos sociais e a construção de um outro projeto para Minas Gerais.

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