Uemg , sede da Emater e Estadual Central estão entre os patrimônios retirados da liquidação do governo entreguista
Atualizada em 15/12/2025

Sob a falsa justificativa de amortizar a dívida de Minas com a União – um montante astronômico que ultrapassa R$ 200 bilhões após uma explosão nos últimos sete anos -, o governador Romeu Zema (Novo) orquestra o maior saldão da história de Minas Gerais. Seu alvo são os imóveis públicos espalhados por todo o estado, que estão à beira de serem vendidos a preço de banana para empresários amigos.
O plano consta no Projeto de Lei 3.733/2025, de autoria do Executivo, que está pronto para votação em definitivo (segundo turno), no plenário da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG). Ao longo de mais de oito meses de discussão, a lista, que começou com 343 imóveis, está atualmente com 209. O avanço é considerado importante, mas o projeto ainda coloca em risco patrimônios como escolas estaduais em pleno funcionamento.
Projeto de Zema era uma lista secreta e saldão de 45% de desconto
O Projeto de Lei dos Imóveis, de autoria do governador Zema, era inicialmente uma caixa-preta: sequer incluía a lista dos bens estaduais que seriam oferecidos à União ou à venda. O PL também autorizava a venda de bens do estado com descontos que poderiam chegar a 45%.
A lista com 343 imóveis só veio a público após intensa exigência e estratégias de obstrução da oposição na ALMG. Após oito meses de mobilização incansável do Bloco Democracia e Luta e uma onda de protestos da sociedade, o número de imóveis na lista da liquidação de Zema caiu para 209. Ao todo, foram retirados 134. O percentual de desconto também passou de 45% para 25%.
Vitória da mobilização e uma luta que ainda não terminou
Para barrar o saldão do Zema, parlamentares do Bloco Democracia e Luta apresentaram diversas emendas e atuaram na obstrução de reuniões sobre a matéria. Servidores, estudantes e a população em geral também ocuparam os espaços da Assembleia em defesa dos bens públicos e marcaram posição contrária ao projeto entreguista do governador.
O movimento de resistência conseguiu reduzir danos ao retirar da lista importantes imóveis, como unidades da Universidade do Estado de Minas Gerais (Uemg); o edifício-sede da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater) em Belo Horizonte; a Escola Estadual Governador Milton Campos (Colégio Estadual Central), também na capital; além de imóveis da Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes), da Fundação Helena Antipoff, da Fundação Caio Martins (Fucam) e do Instituto de Previdência dos Servidores do Estado (Ipsemg).Também foram retirados o futuro Hospital Regional de Divinópolis, o Memorial dos Direitos Humanos, a Casa de Referência da Mulher Tina Martins, entre outros.
A deputada Beatriz Cerqueira (PT), autora de diversas emendas que retiraram imóveis da lista de Zema, comentou sobre a tramitação do projeto.
“Nós salvamos instituições muito importantes. É assustador como que o governo do estado queria vender os imóveis da UEMG, da Unimontes, da Fundação Caio Martins, do Escola Estadual Central, do Ipsemg, do Parque das Águas de Caxambu… isso pra ficar em alguns exemplos importantes para sociedade mineira. Então, o nosso trabalho durante toda a tramitação do projeto foi o de apontar tecnicamente a inviabilidade dessas vendas, de demonstrar que esses imóveis são importantes para a sociedade e que, portanto, não deveriam ficar nesta lista.

Deputada estadual Beatriz Cerqueira (PT)
A deputada Leninha (PT), considera importante os avanços já consquistados, mas destacou que o trabalho vai continuar para retirar mais imóveis da lista de liquidação do Zema.
A gente considera um avanço. Nós fizemos um bom trabalho de reduzir esta lista de imóveis, retirando bens públicos importantes como da Uemg, da Emater, e é claro que a gente teve uma mobilização dessas instituições pra gente ter força para retirar da lista. Mas ainda permanecem alguns importantes, por isso vamos continuar lutando.

O Hospital Regional de Divinópolis também estava na lista de imóveis que o governador Zema pretendia vender. O imóvel foi retirado da lista ainda no primeiro turno, após intensa mobilização. No dia 10/12, a ALMG aprovou projeto de autoria da deputada Lohanna (PV), que autoriza o Governo do Estado a doar à Universidade Federal de São João del-Rei o terreno do hospital, uma área superior a 66 mil metros quadrados, para a instalação do futuro hospital universitário. Uma vitória importante! Segundo a deputada, a proposta enfrentou resistência ao longo do processo.
“Quantas vezes nos deram a sensação que não daria certo a doação do hospital? Que seria melhor desistir e que o hospital seria entregue para uma O.S., ou uma entidade privada cuidaria dele? Mas, hoje demos mais um passo para que o hospital seja de fato universitário.”

Parlamentares do Bloco Democracia e Luta também confrontaram o saldão de Zema com a lógica de que preço de mercado da Companhia de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais (Codemig) – cerca de R$ 33,6 bilhões – poderia custear mais de 90% do valor necessário para que o governo do estado faça a adesão ao Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag). O valuation da empresa foi divulgado no dia 14/11. No entanto, mesmo sem a necessidade de o estado entregar outros ativos, o governo persegue o plano de venda de bens públicos e de privatização da Copasa, além da Cemig, que também está na mira.
“Dissemos que a Codemig, sozinha, seria suficiente para a adesão, várias vezes. O que vemos é que a venda da Copasa ou de qualquer outro ativo é desnecessária”.

Deputado Professor Cleiton (PV)
O deputado Hely Tarquínio (PV) também criticou a proposição.
“É preciso ter mais cautela na análise dos imóveis porque vamos criar problemas para a administração pública funcionar depois. Esse projeto é infeliz porque não há como federalizar serviços como vem sendo falado.”

Deputado estadual Hely Tarquínio (PV)
Apesar de avanço, outros imóveis seguem ameaçados
Mesmo com a redução de mais de um terço na lista original do “saldão de Zema”, ainda restam 209 imóveis passíveis de federalização ou venda, entre eles o Centro Mineiro de Referência em Resíduos, equipamento considerado estratégico para a política de reciclagem no estado.
“Na contramão das políticas de reciclagem que vêm sendo construídas pelo governo federal e pelas prefeituras, o Governo do Estado quer desmontar o Centro Mineiro de Resíduos. Nós, em plenário, precisaremos travar uma grande luta política para tentar retirar e salvar esse patrimônio do povo de Minas Gerais, das catadoras e catadores de recicláveis”.

Deputada estadual Bella Gonçalves (PSOL)
Ela destacou também que outros espaços educacionais vêm sendo desmontados ao longo dos últimos anos pelo governo Zema e agora aparecem na lista de imóveis destinados à venda. Entre eles estão o Plug Minas e estruturas como o Point Barreiro.
Durante a tramitação nas comissões, o projeto recebeu centenas de emendas dos deputados e deputadas de oposição. No entanto, uma grande parte foi rejeitada.
“Nós seguiremos obstruindo. É preciso valorizar esses imóveis, os servidores do estado de Minas Gerais que fazem um grande trabalho pelos mineiros”.

Em defesa dos bens públicos de Minas Gerais
O governo Zema insiste em transformar bens coletivos, que pertencem à população mineira, em moeda de troca para atender aos interesses do mercado. Enquanto isso, escolas, hospitais e espaços culturais correm o risco de serem perdidos definitivamente. Minas Gerais precisa de um governo que proteja seu patrimônio e não de um “vendedor” que trata o Estado como lojas de varejo e promova um verdadeiro saldão com os bens do povo mineiro.
O Bloco Democracia e Luta seguirá mobilizado contra o projeto entreguista do governador e em defesa dos bens públicos.
Minas não está à venda!
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