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Colapso da saúde em Minas: O preço do projeto político de Zema

hospital joao XXIII
Imagens mostram água saindo do teto do Hospital João XXIII devido à falta de manutenção

O caos instalado na saúde pública de Minas Gerais não é uma tragédia acidental, mas a execução calculada de um projeto político de desmonte, que asfixia o SUS para depois vender a “solução” privada como única saída.

Ao invés de valorizar os servidores e investir no fortalecimento da rede existente, o governo de Romeu Zema (Novo) opta por sabotar o sistema público, criando um cenário de terra arrasada onde pacientes sofrem sem atendimento e profissionais trabalham no limite da exaustão. Veja, a seguir, como a política de Zema levou Minas ao colapso: 

Desmonte da rede hospitalar

O sistema hospitalar de Minas Gerais enfrenta um colapso estrutural generalizado sob a gestão Zema, evidenciado na superlotação crítica e na escassez severa de insumos em unidades de referência. No Hospital Júlia Kubitschek, mais de 100 leitos e diversas salas de cirurgias foram fechados em 2025 por falta de equipes e materiais, enquanto o João XXIII sofria com a ausência de itens básicos. 

A situação foi agravada pelo fechamento do bloco cirúrgico do Hospital Maria Amélia Lins (HMAL), dentro do projeto de privatização, sobrecarregando hospitais que já operam com infraestrutura precária e obras inacabadas.

Diante de inúmeras arbitrariedades encontradas no processo de terceirização do Hospital, os deputados do Bloco Democracia e Luta solicitaram a suspensão do edital junto ao Tribunal de Contas do Estado (TCE-MG). O pedido somou-se a outras denúncias e culminou na proibição da assinatura do contrato de gestão. Na ocasião, o Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) também se manifestou contra o processo, determinando a reabertura da unidade com a manutenção integral dos serviços, incluindo a reativação do bloco cirúrgico e a restituição dos leitos desativados.

Além da falta de infraestrutura, a rede Fhemig (Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais) vive uma crise aguda no seu financiamento. Hospitais como o Risoleta Neves e o Infantil João Paulo II operam muito acima da capacidade (chegando a dobrar o número de pacientes suportados), e com escalas médicas reduzidas devido à defasagem salarial e à falta de concursos. O déficit financeiro milionário e a falta de repasses resultam em equipes exaustas e plantões desguarnecidos.

João XXIII alagado por falta de manutenção no telhado

Depois de sete anos de sucateamento, a precariedade da infraestrutura da rede pública atingiu seu nível mais crítico. Em novembro, a falta de manutenção no telhado deixou o maior pronto-socorro de Minas Gerais completamente alagado durante as chuvas. Imagens impactantes registradas por usuários e servidores do Hospital João XXII mostraram a água jorrando pelas luminárias e pelo teto, inundando os quartos e corredores completamente lotados de pacientes internados ou aguardando atendimento. 

Sucateamento do hospital do Ipsemg

O abandono da gestão Zema também atinge o hospital do Instituto de Previdência dos Servidores do Estado (Ipsemg). Mesmo depois de ter aumentado em mais de 80% a contribuição dos servidores à assistência médica, problemas antigos têm se agravado. Faltam equipamentos essenciais como aparelho de ressonância, mamógrafos e tomógrafos. Em 2025, servidores realizaram diversos protestos contra o sucateamento do hospital, denunciando o descaso do governo Zema, que impõe condições insalubres a trabalhadores e pacientes.

Hospitais regionais: obras em atraso e sem perspectiva

Para piorar, a conclusão dos hospitais regionais segue sem perspectiva de se tornar realidade, mesmo com recursos garantidos por meio do Acordo de Reparação pelo rompimento da barragem em Brumadinho. 

Promessa feita e renovada em suas duas campanhas eleitorais, Zema não divulga prazos concretos para as unidades previstas em Conselheiro Lafaiete, Sete Lagoas e Governador Valadares. Em Juiz de Fora, o governador já admitiu que não entregará a obra. Enquanto isso, milhares de mineiros sofrem com a falta de atendimento.

No caso do Hospital Regional de Divinópolis, a solução só veio depois da criação de uma lei de autoria da deputada Lohanna (PV), que autoriza a doação do hospital para a Universidade Federal de São João Del-Rei (UFSJ). A nova norma foi sancionada neste mês de janeiro. 

Dos seis hospitais regionais prometidos por Zema, apenas o de Teófilo Otoni tem data de início de funcionamento prevista. Segundo o governo, a meta é que a unidade entre em operação em março de 2026.

O perigo da centralização da regulação do SUS

Depois de sucatear todo o sistema de saúde em Minas, o governo Zema avança com um projeto controverso de centralização das Centrais de Regulação do SUS, retirando dos municípios e consórcios regionais a autonomia para gerir leitos, transferências de pacientes e o despacho de ambulâncias. A medida, que concentra todo o poder de decisão na esfera estadual, é criticada por inverter a lógica de descentralização essencial ao sistema público, criando o risco de uma “cegueira administrativa” na qual técnicos distantes da realidade local não conseguem avaliar com a devida agilidade as urgências específicas de cada território.

Além do perigo operacional – que pode burocratizar atendimentos de emergência e gerar filas fatais devido à falta de conhecimento das demandas regionais -, a manobra é apontada como uma estratégia política para facilitar a privatização da gestão da saúde. Ao esvaziar o poder dos conselhos locais e concentrar o controle dos recursos no Estado, o governo abre caminho para entregar a operação à iniciativa privada, priorizando uma ótica administrativa e financeira em detrimento da assistência rápida e humanizada que a população necessita.

Falta de saneamento básico afeta a saúde dos mineiros

Segundo o Instituto Trata Brasil, Minas Gerais lidera o ranking nacional de internações ligadas à falta de saneamento básico, somando mais de 47 mil casos em 2024 – uma taxa muito acima da média brasileira. O estado também é o segundo em número de mortes por essas doenças. 

Segundo o levantamento, apenas 43% do esgoto mineiro é tratado, mas o governo Zema autorizou a cobrança de taxas até onde o serviço inexiste, enquanto acelera seu projeto de privatização da Copasa. 

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