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Quando a água invade o hospital: a realidade que desmonta o discurso de Zema

A inundação do maior pronto-socorro de traumas de Minas expõe o colapso estrutural e a precarização aprofundada pelo governo Zema, enquanto a população aponta a saúde como principal problema do Estado

Zema diz que “a saúde está muito melhor”. O Hospital João XXIII mostra o contrário
Foto: Gabriel Nascimento

Enquanto a propaganda do governo de Romeu Zema (Novo) afirma que a saúde em Minas Gerais está “muito melhor que há seis anos”, as imagens do Hospital João XXIII — lâmpadas pingando, corredores inundados e pacientes usando guarda-chuvas — mostram o oposto. No domingo (23/11), a unidade referência nacional em traumas e queimaduras teve inúmeros vazamentos no teto, água acumulada no chão e equipamentos expostos a risco. Funcionários se equilibravam sobre bancos para não pisar na água; pacientes aguardavam atendimento em meio ao caos.

A própria Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig) admitiu a necessidade de remanejamento de pacientes para outras alas.

O Conselho Estadual de Saúde denuncia

O Conselho Estadual de Saúde (CES-MG) enviou ofício cobrando explicações formais do governo sobre o episódio e as condições de manutenção da unidade. A presidenta do órgão, Lourdes Machado, foi categórica: a inundação não é um acidente pontual. É o retrato de um processo denunciado há pelo menos dois anos, marcado por precarização das estruturas físicas, redução de serviços e avanço de modelos de gestão terceirizada.

Segundo Lourdes, o padrão é sempre o mesmo: “em todos os estados onde houve terceirização, primeiro precariza. Depois, justifica a privatização”. O Hospital João XXIII, o João Paulo II e o Maria Amélia Lins já apresentam problemas detectados e não solucionados — e o governo responde tentando terceirizar a Fhemig por meio do PL 2127/24.

Parlamentares visitam o hospital e constatam violações

A situação é tão grave que a Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa realizou visita ao João XXIII. O objetivo: averiguar violação de direitos humanos e risco à integridade física e à vida de quem precisa de atendimento emergencial.

A presidenta da comissão, deputada Bella Gonçalves (Psol), afirmou que os vazamentos interditaram serviços essenciais e que o hospital já “há muito tempo vem sendo sucateado”. A parlamentar destacou que funcionários precisaram usar sacos de lixo para proteger pacientes da água. A visita técnica confirmou que os problemas graves continuam sendo escondidos pela propaganda oficial.

O caos da gestão reflete a política de abandono

O colapso no João XXIII é consequência de decisões do próprio governo. O fechamento do bloco cirúrgico do Hospital Maria Amélia Lins sobrecarregou o João XXIII. Pacientes passaram a aguardar por dias nos corredores para cirurgias ortopédicas — realidade comprovada por visita de deputados do Bloco Democracia e Luta.

O Sindicato Único dos Trabalhadores da Saúde (Sind-Saúde/MG) relatou “pânico” entre pacientes e funcionários após o alagamento, com possível dano a equipamentos como tomógrafos. O médico e vereador Bruno Pedralva (PT) ironizou: o governo teria criado o programa “afogaSUS”, acusando Zema de abandono e campanha política antecipada à presidência.

A população não é ingênua: saúde é o principal problema em Minas

Mesmo com a tentativa de autopromoção, pesquisa Itatiaia/Instituto Ver mostrou a percepção real dos mineiros: 50,37% consideram a saúde o maior problema do estado. Ou seja, enquanto Zema discursa sobre “avanços” que não existem, a população responde: a saúde está abandonada!

O governador promete hospitais regionais que até hoje não foram entregues. Obras seguem inacabadas em Conselheiro Lafaiete, Sete Lagoas, Divinópolis, Governador Valadares e Teófilo Otoni. Em Juiz de Fora, o próprio Zema admite que não entregará a unidade.

Minas não precisa de marketing. Precisa de respeito à vida!

Quando um governo transforma hospitais em depósitos de água, desvia recursos para terceirizações e ignora denúncias recorrentes de abandono, ele não melhora a saúde: ele destrói. O Hospital João XXIII, referência nacional, virou símbolo do descaso.

O governador Romeu Zema pode repetir seu mantra de “melhoria”. Quem corre pelos corredores inundados – pacientes, acompanhantes e trabalhadores – sabe a verdade. A saúde pública mineira está pior e cada dia mais abandonada. Não por acaso, mas por escolha política.

Ao longo de toda a semana, parlamentares do Bloco Democracia e Luta denunciram o caos no Hospital João XXIII:

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