NOTÍCIAS

8 de Março em Minas: a omissão do governo Zema diante da violência contra mulheres

Enquanto feminicídios colocam Minas Gerais entre os estados mais letais para mulheres, decisões do governo de Romeu Zema expõem um cenário de omissão, cortes e vetos que fragilizam políticas de proteção.

8 de marco
Manifestação contra violência de gênero (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

Os números desmontam qualquer tentativa de celebrar o 8 de março sem questionamentos. Em 2025, Minas Gerais foi, mais uma vez, o segundo estado com mais feminicídios do Brasil, registrando uma média de quase três assassinatos de mulheres por semana.

O dado foi revelado em levantamento do Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp), do governo federal.

Sem orçamento, não existe política pública

A fragilidade das ações de proteção também aparece no orçamento estadual. Segundo a presidente da Comissão Especial de Enfrentamento à Violência Doméstica da OAB-MG, Isabel Araújo, o problema não é apenas administrativo, mas estrutural.

“O que vemos é o desmantelamento das políticas de proteção às mulheres. A Lei Orçamentária prevê uma verba muito pequena para o desenvolvimento dessas ações. Isso repercute diretamente na ausência de abrigamento, na falta de capacitação de agentes públicos e na não ampliação das delegacias especializadas. Sem verba, não há política pública.”

A avaliação foi publicada em reportagem sobre o crescimento dos feminicídios no estado.

A recusa em aderir a políticas nacionais

Outra decisão que evidencia o isolamento do estado foi a não adesão de Minas Gerais ao Pacto Nacional de Prevenção ao Feminicídio.

A ausência no acordo coordenado pelo Ministério das Mulheres impede que o estado acesse plenamente recursos e ações intersetoriais previstas no plano nacional, reduzindo a capacidade de articulação entre políticas públicas voltadas à prevenção da violência.

Segundo Estado com mais feminicídios, MG não aderiu a pacto nacional de prevenção

Vetos que dificultam a proteção

A postura do governo estadual também aparece em vetos a propostas relacionadas à proteção de mulheres.

Entre eles, está o veto a um projeto que ampliava a proteção para servidoras vítimas de violência doméstica. A Assembleia até derrubou o veto, mas a base do governo deu um “jeitinho”: aprovaram uma regra que só permite a transferência da vítima se houver vaga. Ou seja, na prática, criaram uma barreira para dificultar um direito básico de proteção.

Outro episódio foi o bloqueio à criação de um auxílio destinado a mulheres vítimas de violência, medida que buscava oferecer suporte financeiro em situações de vulnerabilidade.

Quando o discurso também pesa

O descaso e a irresppnsabilidade ao governo não se limita a decisões administrativas. Declarações públicas do governador também geraram forte reação.Em um evento de lançamento de aplicativo de proteção a mulheres em Belo Horizonte, Zema afirmou que agredir seria “instinto do homem”.

Em outra ocasião, declarou que “homem branco, heterossexual e bem-sucedido é rotulado de carrasco”.

8 de março não é celebração vazia

Diante de números alarmantes, orçamento reduzido, vetos e leis não regulamentadas, o Dia Internacional das Mulheres expõe uma contradição em Minas Gerais.

Não se trata de flores ou homenagens simbólicas. O que está em disputa são delegacias especializadas, abrigos, orçamento público e políticas efetivas de proteção. Enquanto a violência segue avançando, o desafio para muitas mulheres mineiras continua sendo o mais básico de todos: sobreviver.

Leia mais: Zema nega recomposição salarial a servidores e Educação deflagra greve

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

CADASTRE-SE PARA RECEBER MAIS INFORMAÇÕES DO BLOCO DEMOCRACIA E LUTA

Formulário de Cadastro

Zema quer vender Minas Gerais

Zema inimigo da Educação

Reforma pra quê?

Coragem para resistir, união pra construir!