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Minas nas cordas: o Estado como marionete

O governo Zema mergulhou em denúncias que revelam a perigosa mistura entre gestão pública e interesses privados. O discurso de enxugar o Estado virou, na prática, um cenário onde o privado dita as regras.

Minas nas cordas:
o Estado como marionete

O governo Zema mergulhou em denúncias que revelam a perigosa mistura entre gestão pública e interesses privados. O discurso de enxugar o Estado virou, na prática, um cenário onde o privado dita as regras.

O governo Zema
e a marionete do poder privado

O governo de Romeu Zema (Novo) mergulha em um turbilhão de denúncias e atos que expõem a perigosa mistura entre gestão pública e interesses privados. Ao longo dos últimos anos, o discurso midiático de enxugar o Estado traduziu-se, na prática, em um cenário onde o privado passou a ditar as regras do jogo.

E se a política de isenções bilionárias para amigos e aliados e a venda do patrimônio do povo mineiro – que vê seu direito constitucional de decisão sendo extirpado – já eram preocupantes, a Operação Rejeito escancarou uma face ainda mais sombria deste governo. 

Ao subordinar a função pública aos interesses criminosos, a gestão Zema  transformou a proteção ambiental em um lucrativo balcão de negócios.

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ZEMA TE ENGANA ● ZEMA CONTRA OS MINEIROS ●

MINERAÇÃO ILEGAL:
COMO A CORRUPÇÃO SISTÊMICA CRIOU RAÍZES
NO CENTRO DO GOVERNO ZEMA

Um Sistema Estadual de Meio Ambiente desmontado; um governo a serviço da mineração predatória; uma engrenagem criminosa e bilionária: esse é o vergonhoso retrato da corrupção que corrói Minas Gerais.

A Operação Rejeito, deflagrada  no dia 17 de setembro pela Polícia Federal em parceria com o Ministério Público Federal e a Controladoria-Geral da União (CGU),  revelou a captura deliberada do Estado por interesses privados, a conversão de órgãos ambientais em balcões de negócios e a transformação das montanhas de Minas em mercadorias a serviço da corrupção.

#CPIdaMineraçãoJá

Como operação contra fraudes na mineração em
MG afetou alto escalão do governo Zema

A SERVIÇO DA MINERAÇÃO CRIMINOSA, ZEMA ASSINOU O FIM DAS MULTAS PARA EMPRESAS PREDATÓRIAS

A alteração do Decreto nº 47.749/2019, retirando a exigência de quitação de multas ambientais para o prosseguimento de licenciamentos, a pedido de figuras posteriormente presas na operação, é a prova mais contundente de que a gestão Zema não apenas flexibiliza o licenciamento, mas opera como uma engrenagem fundamental para a blindagem do crime ambiental organizado em Minas Gerais.

A manobra é revelada em uma conversa feita no dia 25/10/24, entre o ex-presidente da Fundação Estadual do Meio Ambiente (Feam), Rodrigo Franco, e o ex-deputado João Alberto Lages, apontado como um dos líderes do esquema:

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UMA REDE CRIMINOSA MARCADA POR PROPINA, LAVAGEM DE DINHEIRO E DESTRUIÇÃO AMBIENTAL

A Operação Rejeito escancarou a lógica de um governo que, desde o primeiro momento, se alinhou ao poder econômico da mineração e fragilizou o sistema de fiscalização ambiental, abrindo caminho para uma grande organização criminosa. 

Segundo a Polícia Federal, empresários e agentes públicos atuaram em conjunto para liberar mineração em áreas protegidas, movimentando projetos avaliados em R$ 18,2 bilhões. A investigação identificou uma organização criminosa, com nítida divisão de tarefas e atuação dividida em núcleos, estruturada para a corrupção sistêmica.

estado capturado

“Não vou cair sozinho. Eu cumpria ordens.”

rodrigo

A operação abriu caixa-preta dos licenciamentos suspeitos, classificados como ‘comprados’. De acordo com uma fonte, a regra de liberação era "pagou, licenciou"

O recado de Rodrigo Franco, ex-presidente da Feam, ecoa como uma bomba no coração do governo Zema. Preso pela Polícia Federal na Operação Rejeito, ele foi afastado do cargo quatro dias antes, mas deixou claro: se eu cair, levo a cúpula comigo.

Agora, a pergunta que não cala é: De onde vinham e até onde chegavam essas ordens? Quem realmente lucrava com o esquema bilionário da mineração em Minas?

O RASTRO DAS PROPINAS E FRAUDES

A investigação da Operação Rejeito compilou trocas de mensagens que indicam o pagamento de propina e a manipulação de processos em órgãos, como a Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad), a Fundação Estadual do Meio Ambiente (Feam), o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e a Agência Nacional de Mineração (ANM).

Abaixo, algumas conversas. Por meio do aplicativo whatsapp, os envolvidos tratam do esquema. Veja alguns prints:

Rodrigo Franco cobra de João Alberto o pagamento de parte dos R$ 500 mil reais previamente ajustados pela “colaboração”.

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os investigados marcam encontro para a entrega dos valores combinados:

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Rodrigo Franco cobra novos pagamentos de vantagem indevida a João Alberto, de maneira a evidenciar tratar-se de pagamento mensal de propina. Ele ainda cita uma carona com o governador Zema:

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LOBO NO GALINHEIRO?

Menos de um mês após a Operação Rejeito, Zema dobrou a aposta para elevar a blindagem do setor minerário, nomeando Edson de Resende, advogado de mineradoras, para presidir a Feam, órgão ambiental alvo da Polícia Federal. A troca do ex-presidente preso por um defensor do capital minério-empresarial é a institucionalização do conflito de interesses em Minas.

#CPIdaMineraçãoJá

CPI PARA DESMASCARAR A CORRUPÇÃO BILIONÁRIA

As revelações explosivas da Operação Rejeito, que expôs a venda de licenças e a captura dos órgãos ambientais no coração do governo Zema, não podem ser ignoradas. 

Diante do escândalo de bilhões que ameaça as serras e os cofres de Minas, o Bloco Democracia e Luta não hesita: é hora de acender a luz da verdade sobre o esquema criminoso. Por isso, a oposição mobiliza outros parlamentares e faz a coleta de assinaturas para a imediata instalação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Mineração na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG).

O ALERTA QUE ECOOU DA OPOSIÇÃO

Voz firme contra o avanço predatório em Minas Gerais, o Bloco Democracia e Luta denunciou, ao longo dos últimos anos, o desmonte sistemático das políticas ambientais promovido pelo governo Zema em favor do setor minerário.

A estratégia do desmonte: flexibilização e aparelhamento

O governo Zema não apenas ignora, mas ativamente facilita a exploração minerária. A tática central reside na flexibilização da legislação, na concessão acelerada de licenças e no aparelhamento dos conselhos ambientais (como o Conselho Estadual de Política Ambiental – Copam e o Conselho Estadual de Recursos Hídricos – CERH). Esses órgãos, que deveriam ser espaços democráticos de proteção, foram instrumentalizados para carimbar as decisões do Executivo, privilegiando a voz das mineradoras e marginalizando ambientalistas e movimentos sociais.

O resultado? Minas Gerais liderou o ranking nacional de desmatamento da Mata Atlântica em 2023. O governo Zema chegou a vetar medidas federais de proteção do bioma e vetou a expansão de importantes estações ecológicas (como Fechos e Arêdes).

Serra do Curral de bandeja para a mineração

Nenhum caso é mais emblemático que a Serra do Curral, cartão-postal de Belo Horizonte. No centro de várias idas e vindas de decisões judiciais, esse patrimônio histórico e ambiental foi colocado “de bandeja” para a expansão predatória pelo governo Zema, que concedeu licenças ambientais de altíssimo potencial poluidor a empresas que já acumulavam histórico de danos e autuações. 

A partir de mensagens interceptadas, a Operação Rejeito também revelou que as fraudes na mineração em Minas Gerais conectam esquemas que driblaram projetos de tombamento da Serra do Curral. 

Conflito de interesses e impunidade patrocinada

A promiscuidade entre o Estado e o setor é gritante. Em 2024, denúncias apontaram que empresas que prestam serviços para mineradoras estariam fazendo consultorias para a Secretaria de Meio Ambiente (Semad), patrocinadas pela Federação das Indústrias (Fiemg), entidade que representa a mineração. Esse conflito de interesses permite que empresas ligadas a mineradoras tenham acesso privilegiado a informações estratégicas de licenciamento.

Além da alteração do decreto de Zema, que retirou a exigência de quitação de multas ambientais para o prosseguimento de licenciamentos, a oposição também denunciou, em janeiro deste ano, outra norma sancionada por Zema que concede desconto de até 50% em multas ambientais, beneficiando empresas, como mineradoras, que atuam de forma irregular. 

card conflito
card guardioes

Guardiões desvalorizados e riscos ampliados

No momento em que normas e garantias ambientais vêm sendo minadas, o colapso se completa com o enfraquecimento da fiscalização.

Em greve geral desde 1º de setembro, servidores do Sistema Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Sisema) denunciam um quadro de desmonte estrutural e de desvalorização da carreira ambiental no estado. 

Entre os principais motivos da greve estão a falta de concursos públicos e a defasagem salarial, que, segundo o sindicato do setor – Sindsema, já ultrapassa 85%.